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O dia em que até na colocação do apanha-bolas a coisa correu bem (a crónica do Sporting-Rio Ave)

Sporting vai numa maratona de jogos, mas na vitória com o Rio Ave (2-0, com quatro nos ferros) acertou o passo como há muito não se via e fez uma exibição convincente onde até um apanha-bolas brilhou.

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Bas Dost e Gelson Martins fizeram um golo e uma assistência, Bruno Fernandes acertou duas vezes nos postes

LUSA

Bas Dost e Gelson Martins fizeram um golo e uma assistência, Bruno Fernandes acertou duas vezes nos postes

LUSA

Quando o Sporting marcou o primeiro golo, aos 24′, Jorge Jesus não foi abraçar-se aos jogadores nem foi dar aquele cumprimento aos restantes membros de equipa técnica e staff no banco. Mas também não ficou sossegado na sua área técnica: seguido por Salin, o suplente que vibra como um adepto fora das quatro linhas, o treinador foi dar um aperto de mão a um dos apanha-bolas que estavam em Alvalade, quase que agradecendo o início da jogada com o passe rápido para as mãos de Piccini. No final do jogo, a explicação: “Houve uma jogada em que ele não estava naquela posição e disse ao miúdo que estava muito longe desse espaço. Quando foi aquela bola, disse-lhe ‘Estás a ver, estavas na tua zona’. Mas não foi por causa disso que o golo apareceu”. Não foi, mas também ajudou.

Sporting vence (e convence) Rio Ave por 2-0 e reaproxima-se de FC Porto e Benfica

Nesta autêntica maratona que a formação verde e branca terá de fazer até ao final da temporada (no mínimo fará 59 encontros no total, que podem chegar aos 63, naquela que será sempre a época com mais jogos oficiais de uma equipa portuguesa), todos os pormenores contam. E, por uns momentos, o Sporting voltou aos tempos em que jogava com Slimani na frente, sempre em busca da profundidade mesmo nos lançamentos laterais. Agora tem Bas Dost, o goleador cada vez mais completo com o passar dos jogos que somou a quarta assistência da temporada. E Bruno Fernandes, no papel de “falso 10”. As características são diferentes, as (boas) ideias estão todas lá.

Apesar de ter sido um jogo de homenagem a Peyroteo, o goleador que conseguiu a impressionante média de 1.6 golos por encontro (algo que mais ninguém algum dia conseguiu alcançar), os leões tiveram mais instinto para acertarem nos ferros (quatro bolas nos postes e na trave) do que propriamente na baliza de Cássio. Ainda assim, conseguiram provavelmente a melhor exibição em termos globais no ano de 2018, frente a um Rio Ave que, mais uma vez, e com um esquema diferente do normal, não abdicou dos seus princípios de jogo. Por isso, o 2-0 no final acabou até por ser lisonjeiro face ao caudal ofensivo e à organização coletiva que conseguiram no jogo.

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Sporting-Rio Ave, 2-0

27.ª jornada da Primeira Liga

Estádio José Alvalade, em Lisboa

Árbitro: Rui Costa (AF Porto)

Sporting: Rui Patrício; Piccini, Coates, Mathieu, Fábio Coentrão (Wendel, 88′); William Carvalho, Battaglia (Bryan Ruíz, 75′); Gelson Martins, Rúben Ribeiro (Acuña, 60′), Bruno Fernandes e Bas Dost

Suplentes não utilizados: Salin, André Pinto, Lumor e Montero

Treinador: Jorge Jesus

Rio Ave: Cássio; Nadjack, Marcelo, Nélson Monte, Marcão, Yuri Ribeiro; Pelé, Leandrinho (Pedro Moreira, 84′); Diego Lopes (Barreto, 64′), João Novais (Nuno Santos, 87′) e Guedes

Suplentes não utilizados: Rui Vieira; Bruno Teles, Gabriel e Silvério

Treinador: Miguel Cardoso

Golos: Gelson Martins (24′) e Bas Dost (83′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Nadjack (19′), Fábio Coentrão (71′), Mathieu (90′) e Rui Patrício (90+2′)

Os visitantes começaram num esquema de três centrais/cinco defesas, tentando surpreender em termos táticos o Sporting com uma maior presença na zona de Bas Dost e nos espaços interiores tantas vezes explorados por Gelson Martins, ao mesmo tempo que dava outra liberdade aos laterais Nadjack e Yuri Ribeiro para poderem subir mais pelos corredores e criarem superioridade em ataque organizado ou transições rápidas. Percebeu-se o que Miguel Cardoso queria fazer mas, ao contrário do que tinha acontecido em Vila do Conde, correu tudo menos bem. E aquela conversa de Jorge Jesus com Battaglia e Bruno Fernandes logo na primeira paragem do encontro (após um pisão desnecessário de Marcão sobre Gelson) parecia fazer adivinhar isso mesmo.

Não foi uma versão instantânea, daquela em que se mistura o sumo da qualidade individual à sabedoria coletiva e organizacional, até porque o Rio Ave conseguiu ter mais bola nos primeiros minutos do jogo, mas não demorou a vir ao de cima a melhor versão do Sporting na presente temporada. Isso sentiu-se sobretudo no ataque, mas começou na transição defensiva: a subida de linhas na primeira zona de pressão e a colocação de William mais subido na recuperação de bola acabou por secar por completo os vila-condenses, sobretudo João Novais e Diego Lopes, os dois artistas que sem posse pouco ou nada podiam fazer para contrariar essa superioridade.

Bas Dost, aos 12′, deu o primeiro sinal: recuperação de bola à entrada da área do Rio Ave após erro forçado quando Leandrinho tinha posse, preparação do remate e tiro com o pé esquerdo para a primeira defesa de Cássio. Pouco depois, o perigo veio de bola parada: livre de Bruno Fernandes ligeiramente descaído sobre a esquerda a acertar com estrondo na trave, antes da recarga do holandês para nova intervenção do brasileiro (21′).

A pressão do Sporting estava a sufocar a saída do Rio Ave e adivinhava-se o golo, depois de outro aviso de Gelson Martins num remate à entrada da área após canto que saiu à figura de Cássio. No minuto seguinte (24′), o primeiro da noite. E o tal golo a fazer lembrar os leões da temporada de 2015/16, quando Slimani era o ‘9’ na equipa: lançamento rápido de Piccini a explorar a profundidade, cruzamento rápido de Bruno Fernandes para a área, amortecimento com classe de Dost para Gelson e o extremo, que até perdeu algum ângulo por não ter rematado de primeira, a fazer a finta antes do disparo cruzado sem hipóteses para o guardião vila-condense. Três minutos depois, o 2-0 acertou de novo na trave: Coentrão queria cruzar para o holandês mas quase acabou por marcar…

Pouco depois da meia hora, o Goalpoint mostrava uma imagem que valia mais do que mil palavras: enquanto os dez jogadores do Rio Ave tinham ocupado maioritariamente posições atrás do meio-campo, Coentrão era um extremo e os dois centrais leoninos, Coates e Mathieu, estavam quase colados a William Carvalho. No papel, a única maneira que os visitantes tinham de saírem deste autêntico colete de forças era mesmo explorar a profundidade, mas isso acabou por nunca ser uma realidade, facilitando as linhas subidas montadas por Jorge Jesus neste encontro.

O intervalo chegaria com um dado curioso que mostra bem como, mais importante do que ter bola, é saber o que fazer com ela: com a posse repartida a 50%, os leões tinham seis vezes mais remates, cinco cantos contra nenhum do Rio Ave, mais seis duelos ganhos (31-25) e 17-2 em bolas na área adversária. Ainda assim, antes de mais duas grandes defesas de Cássio a remates de Bruno Fernandes e Battaglia, o Rio Ave teve a sua única oportunidade do primeiro tempo, com Yuri Ribeiro a obrigar Patrício a uma intervenção complicada mas bem conseguida (38′).

No segundo tempo, o domínio manteve-se com características diferentes mas a mesma superioridade. E tudo por culpa de William Carvalho, aquele pêndulo que, quando está bem em campo, dificilmente o Sporting consegue jogar mal. Aos 68′, o capitão ainda teve pulmão para recuperar uma bola a meio-campo, sair em posse, soltar no momento certo e dar a Bruno Fernandes a hipótese de marcar o segundo, que acertou pela quarta vez nos ferros. Sim, quarta vez, porque entretanto Fábio Coentrão também já tinha acertado no poste da baliza de Cássio (60′).

A ressaca do desgastante jogo na Rep. Checa na quinta-feira (que ainda por cima teve prolongamento) notava-se sobretudo nas caras dos jogadores, sobretudo Bruno Fernandes e Coentrão. E, de quando em vez, nas pernas, com mais passes falhados e linhas um pouco mais recuadas em relação à primeira parte. No entanto, os leões pareciam mesmo apostados em arrancar aquela noite de afirmação em que queriam mostrar a sua força antes da paragem para seleções que antecede dois meses decisivos no Campeonato, na Taça de Portugal e na Liga Europa.

Foi essa raça que esteve na origem do segundo golo, que matou por completo o resultado: Coates ganhou uma bola quase na linha do meio-campo, aventurou-se na frente antes de fazer um passe para as costas de Acuña (também não se pode pedir que consiga fazer tudo bem…), a jogada teve seguimento, Gelson conseguiu ganhar a linha de fundo com mais uma mudança de velocidade e cruzou para o cabeceamento certeiro de Bas Dost, que chegou aos 30 golos na presente temporada. Mudaram os papéis, mantiveram-se os intervenientes. E no final até deu para estrear o médio Wendel, brasileiro que foi muito aplaudido nos primeiros minutos de leão ao peito.

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