Rádio Observador

Energia Renovável

Produção renovável foi superior ao consumo de eletricidade em março. É inédito em 40 anos

881

Produção a partir de fontes renováveis ultrapassou todo o consumo de eletricidade em Portugal continental em março. Resultados são "inéditos" em pelo menos 40 anos. Energia verde chegou para 70 horas.

NUNO VEIGA/LUSA

A produção de eletricidade a partir de fontes renováveis em março excedeu o consumo de energia elétrica em Portugal continental para o mesmo mês. A conclusão é da APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis e da ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável, a partir dos dados divulgados esta segunda-feira pela REN  (Redes Energéticas Nacionais).

Esses dados indicam que a eletricidade de origem renovável — sobretudo hídrica e eólica — produzida em março atingiu os 4.812 GWh (Gigawatt/hora), ultrapassando o consumo de Portugal Continental que foi de 4.647 GWh. A produção renovável correspondeu assim a 103,6% da procura, “algo inédito pelo menos nos últimos 40 anos.” O anterior máximo tinha-se verificado em fevereiro de 2014 com 99,2 %.

Mas isto não quer dizer que a procura no Continente tenha sido totalmente abastecida por energias renováveis. “Houve alguns períodos em que centrais térmicas fósseis e/ou a importação foram chamadas a completar o abastecimento das necessidades elétricas em Portugal, facto que foi plenamente contrabalançado por períodos de muito maior produção renovável”.

Estes resultados foram possíveis graças a um mês de março que foi um dos mais chuvosos dos últimos anos e que permitiu ultrapassar a situação de seca meteorológica em todo o território.  A hídrica foi responsável por fornecer 55% das necessidades de consumo, enquanto o contributo da eólica foi de 42%. Estas marcas contrastam com o balanço energético do ano passado, em que a produção renovável recuou para menos de 50% da procura de eletricidade.

Mais exportação e preços mais baixos, no mercado grossista

O peso das renováveis no consumo variou entre o mínimo de 86%, que ocorreu no dia 7 de março, e um máximo de 143% no dia 11 de março. As duas associações destacam “um período de 70 horas, com início no dia 9, em que o consumo foi totalmente assegurado por fontes renováveis e outro período de 69 horas, no início no dia 12 de março”.

A ZERO e a APREN assinalam um “marco histórico do setor elétrico português”, mas também defendem que estes números “mostram a viabilidade técnica, a segurança e a fiabilidade do funcionamento do sistema elétrico nacional, com muita eletricidade renovável.” Segundo as duas associações, a produção mensal das renováveis permitiu evitar a emissão de 1,8 milhões de toneladas de CO2.

Outros pontos destacados foi a obtenção de um elevado saldo exportador que foi de 19 % do consumo elétrico de Portugal Continental (878 GWh) e um preço médio diário (no mercado grossista entre produtores e comercializadores), de 39,75 euros por MWh, abaixo dos dos 43,94 euros por MWh) do mesmo período do ano passado.

As duas associações acreditam que este cenário vai acontecer mais vezes, ainda que salvaguardem a necessidade de manter o recurso pontual às centrais térmicas, o apoio das interligações e o papel crescente do armazenamento.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: asuspiro@observador.pt
Combustível

O mundo ao contrário /premium

João Pires da Cruz
157

Se o seu depósito é mais importante do que aquilo que os pais deste bebé sentiram quando lhes disseram que o filho deles morreu instantes depois do nascimento, é porque tem o mundo ao contrário.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)