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Afinal a Cambidge Analytica não terá tido acesso “apenas” a 50 milhões de perfis de Facebook, admitiu esta quarta-feira o responsável departamento de tecnologia da rede social, Mike Schroepfer no site institucional da empresa liderada por Mark Zuckerberg. Schroepfer anunciou que a empresa britânica acedeu a mais de 87 milhões de perfis, a maioria nos Estados Unidos, sem a autorização dos visados.

No total, acreditamos que a informação de Facebook de mais de 87 milhões de pessoas — a maioria nos EUA — foi indevidamente partilhada com a Cambridge Analytica”

Num longo comunicado em detalha as novas regras de gestão de dados, a empresa admitiu, implicitamente que a maioria dos perfis públicos dos dois mil milhões de utilizadores terão provavelmente sido visados por elementos exteriores sem autorização explícita. Este mea culpa faz parte de uma explicação sobre a forma como os vários níveis de dados pessoais foram usados por toda a gente, desde os fabricantes de aplicações até a interessados com motivações menos escrupulosas.

Somos uma companhia idealista e otimista e na primeira década estávamos realmente mais focados em todos os aspetos positivos que resultam da ligação entre as pessoas, disse o presidente executivo. Mark Zuckerberg multiplicou-se em conferências telefónicas com jornalistas de todo mundo onde admitiu:

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“Agora ficou claro que não nos focamos o suficiente em prevenir os abusos e em calcular como as pessoas poderiam usar estas ferramentas para o mal, tal como para o bem”.

O escândalo com a Cambridge Analytica ficou conhecido no passado dia 17 de março, quando o The Observer e o The New York Times revelaram que a empresa britânica de consultoria política utilizou os dados de utilizadores do Facebook com o objetivo de prever qual seria o sentido de votos do utilizadores na eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2016. A Cambridge Analytica está no centro das suspeitas de tentativa de manipulação em larga escala dos eleitores americanos, com mensagens direcionadas em função da informação pessoal recolhida de forma indevida nos respetivos perfis da rede social.

O Facebook divulgou também um gráfico com a origem dos utilizadores afetados. A esmagadora maioria (70, 6 milhões) são dos Estados Unidos. Seguem-se as Filipinas (1,175 milhões), Indonésia (1,069 milhões) e Reino Unido (1,079 milhões).

Christopher Wylie, que trabalhou na Cambridge Analytica durante esse período, assumiu na altura que a empresa aproveitou o Facebook para recolher milhões de perfis e construir modelos de análise para direcionar “conteúdos pensados nos seus maiores medos”.

O Facebook explicou as várias mudanças e está confiante que estas irão “proteger melhor a os dados dos utilizadores permitindo”. A empresa admite que ainda há “mais trabalho” e promete manter os utilizadores “atualizados” das mudanças que forem realizando.