Análise

Samsung Galaxy S9 Plus. A bateria impediu este smartphone de ser o melhor

A versão Plus do Galaxy S9 é maior e tem dupla câmara traseira. O novo topo de gama da Samsung cativa com AR Emojis, mas não é um grande salto em relação ao S8.

O Samsung S9 Plus está à venda em Portugal por 960 euros. Está disponível em preto meia-noite e rosa púrpura.

O Galaxy S9 Plus é o suprassumo da Samsung: é um smartphone grande e potente, mas muito parecido com o Galaxy S8 Plus, lançado em 2017. A marca sul-coreana — que atualmente é a maior fabricante de telemóveis do mundo — tentou inovar e quis mostrar que “em equipa vencedora não se mexe”, mas podia ter feito mais do que adicionar AR Emojis (os animojis da Samsung) ao novo modelo.

À semelhança do S9, o S9 Plus tem um ecrã infinito e reconhecimento facial. A diferença em relação ao modelo S9 está no tamanho, nas câmaras e na duração da bateria. É maior, tem dupla câmara traseira (em vez de apenas uma) e mais capacidade de bateria (3.500 miliamperes, em vez de 3.000).

Samsung S9 Plus

A favor

  • Câmara
  • Funcionalidades
  • AR Emojis

Contra

  • Bateria
  • Preço

É um facto: o S9 Plus é dos melhores smartphones do mercado, mas por ser demasiado parecido com o S8 Plus não compensa o salto. Continua a ter uma bateria que precisa de ser carregada no final do dia e o preço elevado desvia a atenção para os produtos da concorrência. No entanto, é um smartphone com várias opções que agradará até aos utilizadores mais exigentes.

Para que serve o botão Bixby?

A grande aposta no design do S9 Plus continua a ser o ecrã de canto a canto ou, como lhe chama a marca, o ecrão “infinito”. Não há entalhe, como tem o rebordo superior do iPhone X, ou botão físico de menu. Em vez disso, tem cantos curvos e é tudo touch (incluído os botões de retroceder e menu). Apesar do look futurista, com o qual a Samsung já nos tinha habituado nos modelos “Edge”,  mantém características tradicionais, como a entrada para headphones. A possibilidade de expandir a memória do dispositivo por cartão mini-SD é outro dos pontos fortes do S9, mas para utilizá-la é preciso ocupar uma das slots dos cartões SIM, o que — para quem quiser utilizar a funcionalidade de dois cartões de telemóvel — é um grande incoveniente.

O sensor de impressões digitais é a única grande mudança em relação aos modelos anteriores. Neste equipamento, o sensor está debaixo da câmara (no S8 estava do lado direito da câmara) e esta é uma alteração que foi recebida com agrado pelos fãs da marca. Comprovámos neste análise que esta opção é mais conveniente para desbloquear o S9 com impressão digital. Além disso, continua a ser das mais fiáveis: funcionou sempre que quisemos desbloquear o telemóvel.

Além dos botões laterais para desligar/desbloquear e para controlar o volume, este equipamento tem também um botão “Bixby” dedicado (a Bixby é a assistente digital da Samsung). Para já, apenas fala inglês e sul-coreano, o que torna este botão pouco relevante. A maioria das vezes que carregámos nele foi por acidente e há formas não oficiais de alterar esta funcionalidade. O botão Bixby fez-nos lembrar os antigos Windows Phone, que tinham um botão para pesquisar que obrigava a utilizar o Bing (o motor de pesquisa da Microsoft).

O S9 Plus é, como o nome “Plus” indica, um smartphone grande. Com um ecrã de 6,2 polegadas e 158,1 milímetros de comprimento, é um telemóvel que facilmente se enquadra na categoria de phablet (equipamento móvel com tamanho entre o tablet e smartphone). É, por isso, desconfortável para quem o utiliza? Mais ou menos. O design esguio e o modo landscape (que permite rodar o ecrã até no menu inicial) faz com que seja dos melhores telemóveis para utilizar com as duas mãos. Com uma mão apenas, surge um problema: vai deslizar (os cantos curvos e o revestimento do ecrã ajudam bastante a isso).

Em termos de resistência, o S9 Plus cumpre todos os requisitos de um smartphone deste valor. Não se parte ou danifica à primeira queda (e, provavelmente, isso também não acontece à segunda e à terceira) e é resistente à água e poeiras. Ou seja, dentro daqueles que são os termos da indústria, este smartphone tem o certificado “IP68” (é bastante bom).

No desempenho, o S9 Plus consegue ser mais rápido do que o modelo equivalente, o Note 8. Com a possibilidade de ligação a uma dock própria que, quando ligada a um ecrã, faz do telemóvel um computador de secretária, o S9 Plus é mais do que eficiente nas tarefas do dia-a-dia e também em tarefas mais exigentes. Até o utilizámos para editar imagens.

Outro dos pontos a referir é a qualidade do som. Já falámos da entrada para os headphones, mas aqui o importante são as colunas. A Samsung afirma que o S9 Plus tem tecnologia Dolby Atmos, “como nos cinemas”. Depois de o testarmos, comprovámos que o telemóvel tem, a partir das colunas, qualidade de som superior quando comparado com outros dispositivos (o único que bate o S9 Plus neste ponto é o iPhone X).

As maiores vantagens do S9 Plus estão na qualidade das câmaras. Com vários modos de captura de imagem, até preenche as necessidades dos mais aficcionados por fotografia. Para conseguir uma das melhores qualidade de imagem em smartphones, o S9 Plus tem dupla câmara traseira. Pode parecer a lengalenga do costume, dos smartphones que prometem mais câmaras e têm sempre melhor qualidade, mas neste caso confirma-se. Fomos surpreendidos quando tirámos fotografias em ambientes escuros, uma tarefa difícil para qualquer máquina. Sem utilizar o flash, conseguimos fotografias nítidas, como se o ambiente tivesse mais luz.

Também é graças à tecnologia das câmaras traseiras que a Samsung apresenta o “super slow-mo” (super câmara lenta). É uma melhoria em relação à mesma funcionalidade que já estava no S8, mas continua a ser pouco intuitiva. Supostamente, a inteligência artificial do sistema consegue distinguir que momentos capturar em câmara lenta e auxiliar para vídeos “épicos”. Verdade seja dita, é uma funcionalidade gira, mas só funciona verdadeiramente em ambientes bem iluminados e depois de vários testes.

Quanto à câmara frontal, o S9 Plus tem das melhores câmaras para “selfies” no mercado. A qualidade das imagens apenas perde em relação às fotografias tiradas com a câmara traseira em ambientes mais escuros. Mesmo assim, com foco automático e com a ajuda dos sensores que estão no topo do aparelho, foi rara a fotografia que ficou mal.

É também com a câmara frontal que o S9 Plus tem uma das funcionalidades mais interessantes. Não, não são os AR Emojis (já lá vamos), é o desbloqueio facial. Esta característica não é nova, mas nota-se que está melhor. Para desbloquear o telemóvel é prático e o mais importante é que funciona na maioria das vezes – ao contrário do iPhone X, que peca nesta funcionalidade. Com o sensor de impressões digitais na parte traseira acabámos por não ter de a utilizar assim tanto (sempre que se pega no telemóvel facilmente se põe o dedo no sensor).

E a bateri… Espera, tenho de ir carregar o S9 Plus

A bateria é a principal razão para que este telemóvel tenha quatro estrelas. Sim, é dos melhores equipamentos no mercado mas a bateria é um grande senão. Com os equipamentos da concorrência — como o iPhone X ou o Huawei Mate 10 Pro — a aguentarem facilmente mais do que um dia de utilização, não se compreende como é que a Samsung não melhorou neste ponto. O equipamento que testámos é o S9 Plus, ou seja, é aquele que tem maior capacidade de bateria. Mesmo assim, chegámos ao final de um dia normal de trabalho com 20%, 15% de bateria. O carregamento rápido ajuda a colmatar a falta de capacidade deste equipamento, mas não compreendemos como é que a Samsung não melhorou neste ponto.

Pode (ainda) ser normal em equipamentos de gama média ter de carregar todos os dias, mas este telemóvel custa quase 1.000 euros. A bateria do iPhone X aguentou, em média, um dia e meio, e com utilização intensiva. Isto significa que basta chegar a casa e não carregar o telemóvel para ter de andar com o carregador no dia seguinte. Podemos argumentar que, mesmo assim, a bateria do telemóvel aguenta um dia inteiro com uma utilização normal, mas com os concorrentes diretos a conseguirem mais torna-se uma justificação inválida.

Extra: AR Emoji, que é como quem diz Animojis

Deixámos para o fim uma das características que a Samsung mais destacou: os AR Emojis (emojis em realidade aumentada). São uma cópia descarada dos animojis da Apple? Sim, são, mas são diferentes. E é por serem diferentes que conseguem ser interessantes. Se, por um lado, o reconhecimento facial do S9 Plus consegue ser melhor do que o do iPhone X, nos Animojis fica a perder. Os bonecos que imitam as expressões faciais do utilizador funcionam mais ou menos. Notámos um atraso nas expressões dos bonecos várias vezes e este não reconheceu bem alguns movimentos. É uma funcionalidade gira, mas por não funcionar tão bem como os Animojis acaba por não ser tão boa. No entanto, não deixa de ter inovações na fórmula.

É pelas inovações que este “extra” nos cativou. Sim, não replica as feições do utilizador como a concorrência, mas a Apple só tem dez Animojis por onde escolher e, com os S9, é possível ter um Mickey e uma Minnie a imitar o que se diz com as feições do utilizador. Outra das graças desta funcionalidade dos S9 são os avatares que, através de uma fotografia, são criados à imagem da pessoa. Por vezes, os resultados foram um pouco macabros e fazem lembrar uma versão mais assustadora dos avatares da Xbox 360, mas o facto de podermos enviar os resultados por todas as aplicações de mensagens (e não só pelo iMessage) faz dos AR Emojis uma boa resposta da Samsung à Apple.

Veredicto final: houve inovação, mas muito pouca

Os S9 são um ligeiro upgrade dos S8. Na prática, são mais potentes e agora, além de AR Emojis, o sensor de impressões digitais está num local mais prático. Mas, de resto, em pouco divergem dos S8 e no aspeto que a Samsung precisava de melhorar para concorrer com os principais concorrentes — na bateria — falha. Tem características práticas, como ser também um computador de secretária através de uma dock DeX, que acabam por justificar o avultado preço próximo dos mil euros. Mesmo assim, apesar de ser, claramente, dos melhores do mercado, a Samsung acabou por inovar (muito) pouco.

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