O líder da oposição arménia Nikol Pachinian foi detido este domingo pela polícia, no décimo dia de contestação, pouco depois de ter participado num debate com o primeiro-ministro Serge Sarkissian transmitido pela televisão, indica a imprensa local.

“O povo deve libertar Nikol (Pachinian)”, declarou à imprensa o deputado Sassoun Mikaelian, antes de também ser detido.

A imprensa local adianta que as forças de segurança pararam a manifestação da oposição no bairro Erebuni da capital arménia e empregaram a força para dispersar a multidão e deter o líder dos convocou os protestos. Já a Procuradoria-Geral arménia precisa que o deputado e líder da oposição Nikol Pachinian, assim como dois outros deputados da oposição “foram detidos quando realizavam atos perigosos para a sociedade”.

A Procuradoria considera que Pachinian e dois outros deputados “violaram de modo repetitivo e grosseiro a lei sobre manifestações, organizando desfiles e comícios ilegais e apelando ao bloqueio de estradas e à paralisação do funcionamento dos estabelecimentos públicos”.

Este domingo de manhã, um encontro transmitido pela televisão entre o primeiro-ministro da Arménia, Serge Sarkissian, e o líder da contestação, Nikol Pachinian, foi encurtado para três minutos, com o chefe do Governo a retirar-se rapidamente por considerar ser alvo de chantagem.

“Eu vim para falar da sua demissão”, declarou o deputado Nikol Pachinian ao interlocutor quando já estavam a ser filmados pela televisão.

“Isto não é um diálogo, é uma chantagem”, respondeu o ex-presidente arménio antes de sair da sala do grande hotel de Ierevan onde se realizou o encontro.

Antes da saída de Sarkissian, Pachinian ainda declarou: “O senhor não compreende a situação na Arménia, o poder está agora nas mãos do povo”.

O primeiro-ministro arménio disse ainda que um partido que obteve 8% dos votos nas eleições legislativas não pode falar em nome do povo.

Manifestações convocadas por Pachinian, deputado e líder da oposição, têm-se sucedido nos últimos dez dias em Ierevan.

Os contestatários acusam Serge Sarkissian, que acaba de concluir o segundo mandato presidencial, de se agarrar ao poder ao fazer-se eleger para primeiro-ministro pelos deputados.

Como a Constituição proíbe mais de dois mandatos presidenciais, Sarkissian adotou em 2015 uma reforma controversa que dá o essencial do poder ao primeiro-ministro.

Além das manobras de Sarkissian para se manter no poder, depois de uma década na presidência, os manifestantes acusam este antigo militar de 63 anos de nada ter feito para reduzir a pobreza e a corrupção deste país com menos de três milhões de habitantes, onde os oligarcas continuam a controlar a economia.

O deputado Nikol Pachinian, de 42 anos, que lidera a contestação, é um antigo jornalista e um opositor de longa data que esteve brevemente na prisão depois de ter liderado movimentos de protesto contra Serge Sarkissian em 2008, dos quais resultaram 10 mortos.