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A ministra da Administração Interna britânica, Amber Rudd, vai ao Parlamento na próxima segunda-feira prestar esclarecimentos. Em causa está a publicação pelo jornal The Guardian de informação que prova que o gabinete de Rudd teve acesso a documentação sobre metas para reduzir o número de imigrantes no país — depois de a ministra ter desmentido inicialmente ter conhecimento sobre o assunto.

Tudo começou com o chamado “escândalo da geração Windrush”. Uma série de reportagens do jornal The Guardian denunciou os maus-tratos e falta de acesso a serviços públicos a que estão sujeitos no Reino Unido os imigrantes das antigas colónias britânicas nas Caraíbas que foram convidados a ir para o país, no pós-Segunda Guerra, para ajudar na reconstrução do Reino Unido. A investigação levou Rudd e a sua equipa a terem de responder no Parlamento sobre estes casos, tendo inclusivamente a primeira-ministra (e antecessora de Rudd no cargo), Theresa May, pedido desculpa.

As ameaças de deportação de que alguns destes imigrantes foram alvo levantaram o véu sobre a existência de chamadas metas de remoção de migrantes, que a ministra do Interior, Amber Rudd, negou inicialmente terem existido. Dias depois, contudo, acabou por admitir no Parlamento que tais metas existiam de facto, mas apenas a nível “local” e não por parte das autoridades nacionais.

Dois dias depois, o Guardian publica um documento interno de seis páginas a que teve acesso onde a Agência de Imigração explicita um objetivo concreto de atingir “12.800 regressos forçados para 2017-18”. “Isto colocar-nos-á num caminho para melhorar em 10% o desempenho nos regressos forçados, tal como prometemos ao ministério no início deste ano”, pode ler-se no documento enviado ao ministério da Administração Interna em junho do ano passado, com a informação de que foram entregues cópias à ministra Rudd e ao secretário de Estado da Imigração, Brandon Lewis.

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Outras fontes do ministério confirmaram ao jornal que Rudd tinha de ter conhecimento das metas e revelaram-se surpreendidas pelo facto de a ministra o ter negado. “Ficámos de boca aberta com o que ela disse, com o facto de ter mantido aquela posição. É inconcebível que Amber Rudd não soubesse das metas”, declarou uma fonte do ministério ao Guardian. As mesmas fontes confirmaram ao jornal que o tema foi discutido em várias reuniões e que a meta de 10% foi estabelecida pela própria Rudd.

“Não vi o documento”, diz ministra

Horas depois de o artigo ser publicado, a ministra mantém a versão de que não sabia dos objetivos estabelecidos para deportar imigrantes. “Não vi o documento, apesar de ter sido copiado para o meu gabinete, como tantos outros documentos são”, disse, numa série de tweets onde anunciou que irá esta segunda-feira ao Parlamento prestar mais esclarecimentos sobre este caso.  “Não estava a par de objetivos específicos para deportações. Aceito que devia estar e peço desculpa por não ter estado”, disse.

O Partido Trabalhista, que já tinha pedido a demissão de Rudd na sequência do escândalo da “geração Windrush”, voltou a pedir a saída da ministra. “Amber Rudd está presa por um fio para proteger a primeira-ministra das suas responsabilidades como arquiteta inicial desta atitude cruel e insensível para com a migração”, disse a ministra-sombra do Interior, Diane Abbott. “Outro pedido de desculpas não chega, deve assumir as responsabilidades pelo caos no ministério da Administração Interna e demitir-se.”

Vários ministros já vieram entretanto em defesa da colega de Governo. Michael Gove, ministro do Ambiente, sublinhou à BBC que “centenas de cópias de documentos são enviados para o gabinete de um ministro todos os dias” e o ministro da Justiça, David Gauke, acrescentou que Rudd é uma “excelente” ministra e que “cometeu um erro”. “Ela vai voltar à Câmara dos Comuns para corrigir o que foi dito.”

Do gabinete da primeira-ministra só houve uma reação horas depois da publicação da notícia, a seguir aos tweets da ministra, reforçando a “confiança” de Theresa May em Rudd. Para o correspondente de política da BBC Jonathan Blake, Rudd “está longe de estar de pedra e cal” no Governo, mas a sua saída deixaria a primeira-ministra numa posição precária: “May ficaria ainda mais exposta a críticas pelo seu desempenho como ministra da Administração Interna. E [a demissão] também afetaria o equilíbrio delicado de opiniões sobre o Brexit no Executivo, quando há votações decisivas no horizonte.”