O mérito a quem o merece. O Tondela nunca podia, e sabia-o, derrotar o Benfica, o campeão Benfica, se recuasse em demasia, se ousasse estacionar o “autocarro” à frente da defesa e esperasse que, devidamente alinhados, os astros resultassem num pontinho que fosse. Seria “sufocado” e quebraria, era certo. Então, não recuou, nunca recuou. E quando se sentia o “sufoco”, a dupla Fernandes-Costa raramente perdia as disputas com os avançados no centro da defesa. E quando perdia, Claúdio Ramos defendia tudo, absolutamente tudo, até o que era golo cantado. Mas também não poderia, logo que a bola lhe encontrasse os pés, circulá-la, com manias de “grande”. Aceitou a sua condição de pequeno. Contra-atacou quando era tempo de contra-atacar. E engrandeceu.

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BENFICA-TONDELA (2-3)

Estádio da Luz, em Lisboa

Primeira Liga NOS 2017/2018 (Jornada 32)

Árbitro: Nuno Almeida (AF Porto)

Benfica:   Varela; André Almeida (Douglas, 30’), Luisão, Rúben Dias e Grimaldo; Samaris, Pizzi, Rafa, Zivkovic (Seferovic, 62′) e Cervi (Salvio, 46′); Jiménez.

Suplentes não utilizados: Svilar, Keaton Parks, Diogo Gonçalves e João Carvalho

Treinador: Rui Vitória

Tondela: Cláudio Ramos; David Bruno, Jorge Fernandes, Ricardo Costa e Joãozinho; Bruno Monteiro, Hélder Tavares (Joca, 92′), Tyler Boyd, Claude Gonçalves e Miguel Cardoso (Juan Delgado, 81′); Tomané

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Suplentes não utilizados: Ricardo Janota, Fahd Moufi, Sulley, Delgado, Harramiz e Heliardo

Treinador: Pepa

Golos: Pizzi (12’), Miguel Cardoso (31’; 39’), Tomané (81′) e Salvio (94′)

Ação disciplinar: Cartão amarelo para Cervi (32′), Jorge Fernandes (46’), Luisão (54′), Tomané (61′) e Cláudio Ramos (70′)

 

O Benfica até entraria melhor na partida. E logo ao minuto 12, Jiménez rompeu pela esquerda, entrou na grande área e caiu. Toda a gente ficou a espera do penálti, o árbitro não o assinalaria, e a bola seguiu até ao flanco contrário. Sem ninguém do Tondela por perto, Rafa esperou que alguém do Benfica chegasse, cruzou atrasado e Pizzi (que já não marcava há longos três meses) rematou na passada.

Ao minuto 19, o canhoto Zivkovic, mais descaído para a direita, puxou para dentro e rematou logo dali, forte, à entrada da grande área. Claúdio Ramos estica-se todo e faz um grande defesa, impedindo o segundo dos encarnados. O Benfica teve nova chance de aumentar a vantagem ao minuto 21: correria de Cervi na esquerda, chegado à grande área o extremo remata de pronto, mas o remate saiu pouco ao lado da baliza do Tondela.

Depois o Tondela tentou a sorte. Subiu. Enfim subiu.

E empatou ao minuto 31. Claude Gonçalves pressionou Cervi e interceptou a bola a meio-campo, isolando em seguida Miguel Cardoso nas costas da defesa do Benfica. Luisão hesitou, Douglas também não fez melhor, ambos esperavam que Varela saísse da baliza, Varela não sai, e Cardoso acabaria por fazer uma “chapelada” ao guarda-redes do Benfica. Cardoso repetiu a “graça” ao minuto 39. Ao segundo ataque do Tondela. David Bruno lança longo para a grande área, o central Ricardo Costa disputa a bola com Luisão nas alturas, ninguém a ganharia e esta acabou por chegar a Miguel Cardoso nas costas destes. Douglas hesita e deu-se mal: Cardoso remata prontamente para o segundo, do próprio e do Tondela.

Vitória sabia que a derrota seria dizer adeus ao título. Ele que não tinha Jonas, aquele que resolve, por lesão, e resolveu poupar (se vissem amarelo estavam fora) Jardel e Fejsa para o dérbi com o Sporting. Vitória precisava de “apertar” com o Tondela. Ao intervalo deixou Cervi no balneário e aposta em Salvio. Conservador? Adjective-se como se entender. Mas azarado na escolha Vitória foi. Salvio desperdiçou golos atrás de golos. Logo ao minuto 47, Grimaldo cruza da esquerda para a grande área, Jiménez toca de raspão com a bota e Claúdio Ramos defende para a frente. À frente estava Salvio. Mesmo tendo a baliza à mercê, o remate do argentino ainda desvia em Bruno Monteiro e saiu ao lado. Ao minuto 52, outra vez Salvio a desperdiçar uma oportunidade para empatar tudo: Douglas cruza à direita, rasteiro, o golo é daqueles cantados mas Salvio desvia de pé esquerdo (que é o “cego” do argentino) para lá do travessão. Estava à boca da baliza.

Salvio não resultou, pronto. Ao minuto 62 Vitória faz a última substituição (André Almeida, lesionado, deu a vez a Douglas ainda no primeiro tempo) e resolve trocar ic por ic, Zivkovic por Seferovic. Conservador? Adjective-se como se entender. Mas “estranho” na escolha Vitória foi. O sérvio estava a ser um dos melhores no Benfica aquando da saída. Continuaria Pizzi em campo, apagado como apagado esteve durante grande parte da época. E continuaria o trinco Samaris quando do Tondela já nada havia no meio-campo. E continuaria o lateral Douglas quando Salvio podia fazer todo o flanco direito.

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Ao minuto 63 o Tondela podia ter chegado ao seu terceiro da tarde/noite: Tomané cruza, Tyler Boyd remata para defesa de Varela e, na recarga, Miguel Cardoso não desperdiça a bola redondinha que tinha à mercê. O árbitro anularia o golo por pretenso jogo perigoso de Cardoso. Não chegou ao 63, chegou ao 81. Antes, ao minuto 73, canto à esquerda, Pizzi cruza para o centro da grande área, na confusão Jiménez desvia, Claúdio Ramos defende para a frente… e voltaria a defender a recarga de Luisão. Im-pre-ssi-o-nan-te. Voltando ao golo visitante: a bola, longa, chega à defesa do Benfica, Juan Delgado amortece de cabeça para Tomané, o avançado livrar-se (com facilidade) da marcação de Luisão na grande área e rematou, forte e colocado.

Havia tempo. Mas o Benfica não reagiu. Ainda assim, reduz no tempo extra, ao minuto 94. Luisão cruza longo desde a defesa, Jiménez amortece o passe, desmarca depois Salvio e este bateria e quase imbatível Cláudio Ramos num chapéu.

O mérito a quem o merece. E o campeão, que quer voltar a sê-lo, não perde assim.