As mobílias da cadeia sueca IKEA são, regra geral, fáceis de montar, sobretudo as peças mais básicas. Isso não impede, contudo, que algumas pessoas — as que sentem menos vocação para a bricolage — sejam fustigadas por momentos de dúvida acerca do seu valor enquanto seres humanos quando olham para a caixa retangular de cartão que acabaram de tirar da bagageira do carro. Esse não é, contudo, um sentimento que tenha abalado os dois robôs desenvolvidos em Singapura e que conseguem montar uma cadeira Stefan em cerca de 20 minutos.

Foi tudo menos fácil conseguir programa os dois robôs para — de forma autónoma e sem dizer palavrões — montarem a cadeira demorando aproximadamente o mesmo tempo que demoraria uma pessoa. A pesquisa e desenvolvimento demorou três anos, mas foi, finalmente, publicada no mês passado na revista científica ScienceRobotics.

Os robôs estão equipados com peças comuns como braços robóticos, sensores e câmaras 3D, além de apanhadores (“pinças”) que reproduzem a dexteridade humana o melhor possível.

O desafio é colocar as peças da cadeira de forma aleatória, à frente dos robôs, e estes têm de ser capazes de tirar as medidas e identificar as peças específicas. “O que o robô faz, depois, é perceber exatamente qual é a posição original da estrutura”, diz o engenheiro Quang-Cuong Pham, da Nanyang Technological University, em Singapura. “Depois, o que ele faz é calcular o movimento dos dois braços de forma automática para apanhar as peças e transportá-las”, acrescenta.

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Uma das técnicas que o robô usa, por exemplo, para inserir os “pauzinhos” de madeira que servem para ajudar as peças de mobiliário a segurar-se, em conjunto com os parafusos, envolve uma pequena rotação à volta do buraco, à procura de uma mudança de padrão que indique que é ali que a peça tem de entrar. Isto porque o sensor não tem uma precisão exata para detetar o orifício –precisa de fazer movimentos giratórios para encontrar a “casa”.

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Os investigadores dizem que este processo é um primeiro passo para, um dia, ser possível montar um móvel a partir do livro de instruções ou a partir da análise de um objeto já montado.

“Já conseguimos um nível baixo de capacidade que permite ensinar ao robô ‘como fazer’. Nos próximos 10 anos, tarefas mais complexas que envolvam ‘o que fazer’ podem também ser possíveis”, dizem os investigadores, citados pela Reuters.

Quem não rejeita olhar para o que a robótica pode ajudar é a cadeia sueca em causa, a IKEA, que ao Daily Mail disse que “é interessante ver um exemplo de como os robôs podem, potencialmente, contribuir para o nosso objetivo de melhorar o dia a dia das pessoas”. “Estamos muito interessados em incorporar as novas tecnologias nos nossos processos”, afirmou uma responsável da empresa, ao jornal britânico.