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Da "vida de fausto" à "vitimização". As reações à saída de Sócrates do PS

Arnaut diz que Sócrates já se devia ter desfiliado do PS há mais tempo, António Campos acusa o partido de ter traído a sua origem e Ana Gomes fala em "estratégia de vitimização".

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HUGO AMARAL/OBSERVADOR

HUGO AMARAL/OBSERVADOR

O presidente honorário do PS, António Arnaut, considera, em declarações ao Observador, que José Sócrates fez bem em desfiliar-se do partido e adverte que esta “é uma atitude que já devia ter tomado, em face da gravidade das acusações e das críticas severas que lhe são feitas“, já que “independentemente de ter sido culpado dos factos que lhe são imputados, que são gravíssimos, levou uma vida acima das suas possibilidades, uma vida de fausto, acima daqueles que são os padrões indissociáveis da ética republicana e socialista.” A reação surge depois de José Sócrates ter anunciado esta sexta-feira a desfiliação do partido, com críticas a António Costa.

O antigo ministro e “pai” do Serviço Nacional de Saúde diz que é preciso, no plano judicial, não esquecer a “presunção de inocência”, mas José Sócrates devia ter-se afastado tendo por base um “conceito antigo, que hoje está muito esquecido: a lisura”. “Para mim a honra é muito importante”, acrescenta Arnaut.

O histórico socialista admite que Sócrates foi “prejudicado” pelo reflexo mediático do caso Manuel Pinho, que também classifica como “gravíssimo”, caso seja provado que um “ministro recebeu dinheiro de um grupo privado”. Arnaut desafia ainda José Sócrates a dizer “se sabia ou não que Manuel Pinho recebia aquele dinheiro”.

António Arnaut contou ainda que não estará no Congresso do PS por razões de saúde.

Vieira da Silva. “Seria hipocrisia” dizer que o caso Sócrates “não toca” no PS

O ministro do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social afirmou que desde o momento em que o caso se tornou mediático que “quer José Sócrates quer o Partido Socialista entre o processo que estava e está a decorrer na justiça e o PS”. À margem da apresentação de um relatório da OCDE, Vieira da Silva disse que “seria hipocrisia” defender que este processo “não sensibiliza ou não toca no PS” mas considera que a distinção das responsabilidades foi assumida desde o início.

Para o ministro, o Partido Socialista é “um partido de pessoas livres que emitem as suas opiniões” e o essencial é ter a “noção da seriedade destes problemas”.

Vieira da Silva disse ainda que a saída de José Sócrates do PS é “uma opção individual” e considerou que tanto o partido como o ex-primeiro-ministro distinguiram o PS do processo judicial em curso.

[Veja como as críticas a Sócrates se intensificaram na quarta-feira, dia 2 de maio]

Em declarações aos jornalistas à margem da apresentação de um relatório sobre educação de adultos, Vieira da Silva salientou que “o PS é um partido de pessoas livres que emitem as suas opiniões” e que “seria hipocrisia” não admitir que as acusações contra Sócrates “sensibilizam, tocam e preocupam” o partido.

Vieira da Silva, que acompanhou Sócrates em dois governos, defendeu que é preciso “manter a distinção essencial entre poder judicial e outras áreas” e afirmou esperar que o desenlace do processo judicial “traga ao de cima a verdade e se aja em conformidade”, com “a maior rapidez possível”.

Quanto à decisão de José Sócrates, que este “explicou nos termos que entendeu”, tem de ser respeitada, disse.

Manuel Alegre diz que PS “abriu a caixa de Pandora”

O ex-candidato à Presidência da República considera que o Partido Socialista  decidiu não fazer “uma necessária e serena reflexão política sobre o caldo de corrupção” e acabou por abrir “a caixa de Pandora” ao comentar o caso Sócrates “de uma forma avulsa”. Em declarações ao Público, Manuel Alegre revelou que sente “um grande mal-estar com tudo o que se passou” e garante que não confunde “suspeitos com condenados”.

O fundador do PS não concorda com Ana Gomes – que apontou o Congresso do PS como a “oportunidade” para discutir os casos de corrupção que gravitam à volta do partido -, já que um congresso “não tem a serenidade necessária para discutir um assunto tão sério”. Contudo, Alegre pensa que agora já não há qualquer escapatória e, depois dos comentários de vários dirigentes socialistas ao caso Sócrates, o assunto terá de ser debatido no Congresso.

“Abriram o saco dos ventos e agora não vão conseguir escapar ao tema no congresso. Repito, não é o local próprio, mas agora vão ter mesmo de ter o tema José Sócrates no Congresso”, atirou o fundador do partido.

Manuel Alegre mostrou-se ainda “perplexo” por ver, de um dia para o outro, ir por água abaixo a estratégia de António Costa de separar o caso Sócrates do PS. O socialista deu até razão a Rui Rio “pela forma serena como colocou alguns problemas”, como a chamada de Manuel Pinho ao Parlamento ou a polémica sobre quem são os principais devedores da Caixa Geral de Depósitos.

Quanto ao Congresso, o fundador do PS disse que ainda decidiu se vai marcar presença.

João Ribeiro-Bidaoui: próximo congresso deve declarar “tolerância zero à corrupção”

O ex-porta-voz do Partido Socialista João Ribeiro-Bidaoui escreveu num post de Facebook que o próximo Congresso do PS, marcado para os dias 26 e 27 de maio, deverá prioritariamente estabelecer “explicitamente uma linha vermelha que separe a política dos negócios”, bem como declarar “tolerância zero à corrupção”, ao invés de “preocupar-se com a crise da social-democracia”.

Para mim é no entanto prioritário que o Congresso (isto é, o conjunto dos discursos dos dirigentes, dos delegados e as moções aprovadas) estabeleça explicitamente uma linha vermelha que separe a política dos negócios.

Álvaro Beleza: “Finalmente uma atitude digna de José Sócrates”

O antigo dirigente do PS durante a liderança de António José Seguro defende que a decisão do ex-primeiro-ministro de se desfiliar do partido era “inevitável” e que é “boa para ele, boa para o PS mas é sobretudo boa para o sistema político”.

Em declarações ao Público, o médico, que nunca foi deputado, congratulou-se por José Sócrates ter tido “finalmente uma atitude digna” e recordou a necessidade dos partidos serem rigorosos na “avaliação dos seus militantes”, já que não há que “ter vergonha quando há suspeitas de corrupção”.

João Soares invoca “ponderação” e recusa “precipitações”

O ex-ministro da Cultura garantiu ainda não ter lido o artigo de opinião de José Sócrates no Jornal de Notícias – onde o ex-primeiro-ministro explica os motivos que o levaram a pedir a desfiliação do PS – e disse que, por ser um “tipo ponderado”, não quer precipitar-se ao fazer comentários.

Em breves declarações aos jornalistas no Parlamento, João Soares referiu-se a Sócrates como “camarada e amigo” mas recordou que nunca o apoiou internamente.

Mariana Mortágua: “É gravíssimo saber que a teia de interesses chegou ao mais alto nível de governação”

A deputada e dirigente do Bloco de Esquerda disse esta noite, em declarações à SIC Notícias, que, havendo corrupção, “é gravíssimo saber que a teia de interesses chegou ao mais alto nível de governação e que há condenados por corrupção em altos cargos da governação”. Mariana Mortágua falou ainda da promiscuidade entre o poder político e o poder económico:

Até que ponto é que o ministro [Manuel Pinho] é livre para fazer o seu trabalho, independentemente de haver ou não corrupção, se conta com a EDP para depois ter um emprego no conselho de administração ou no conselho superior ou de fiscalização dessa mesma empresa? Basta ir aos conselhos de administração das grandes empresas portuguesas… eles estão pejados de ex-ministros do Partido Socialista e do Partido Social Democrata.

A deputada disse também que em Portugal existe “uma teia de interesses que se tem vindo a intensificar e que tornou, muitas vezes, a política refém de interesses económicos”.

António Campos. O PS “traiu a sua origem”

António Campos entende a decisão tomada por José Sócrates, ao desfiliar-se do PS, e considera que o partido “traiu a sua própria origem” nas posições que foram tomadas nos últimos dias por dirigentes socialistas. O ex-primeiro-ministro “tem toda a razão em estar revoltado”, diz o fundador do PS à TSF. Numa reação à notícia avançada pelo Jornal de Notícias, António Campos lembra que o PS “nasceu como um partidos dos direitos e liberdades dos cidadãos” e que não embarca em “julgamentos populares”.

Foi isso, entende-se da posição do histórico socialista à TSF, aquilo que dirigentes como o porta-voz João Galamba, o presidente Carlos César ou o próprio secretário-geral António Costa fizeram ao falar em “vergonha” que sentem por casos como os de Manuel Pinho e José Sócrates. Sempre na condição de virem a ser julgados. Sócrates “não tinha outra alternativa”, resume o fundador.

Ana Gomes acusa Sócrates de “estratégia de vitimização”

A eurodeputada socialista Ana Gomes considerou hoje que o pedido de desfiliação por José Sócrates do PS serve “a estratégia de vitimização” que o antigo primeiro-ministro tem escolhido para fazer face a “acusações graves” de vários crimes económico-financeiros.

Obviamente que essa carta de Sócrates serve a estratégia de vitimização que ele tem escolhido para fazer face às acusações graves que contra ele pendem, portanto, não é nada de estranho [o pedido de desfiliação]”, disse Ana Gomes.

A eurodeputada reagia assim em declarações à agência Lusa a propósito do anúncio feito por José Sócrates num artigo de opinião publicado hoje no Jornal de Notícias a dar conta de que enviou uma carta ao partido a pedir a desfiliação do PS para acabar com um “embaraço mútuo”, após críticas da direção. Para Ana Gomes, o PS tem agora de refletir e identificar o que falhou nos seus controlos internos e externos “para se credibilizar junto do povo português”.

“Só espero é que esta atitude de Sócrates facilite e estimule o PS a fazer o exercício de introspeção que é imperativo e que não pode mais ser adiado face ao que se sabe já e ao que ainda não se sabe sobre a teia de corrupção que tinha em Sócrates um ponto central”, destacou. No entender de Ana Gomes, o PS tem “de fazer de tudo para não permitir mais este tipo de comportamentos e acionar os mecanismos externos e internos para combater a corrupção”. A eurodeputada socialista disse ainda que o Congresso do partido a realizar entre 25 e 27 de maio na Batalha, distrito de Leiria, “é uma boa oportunidade” para o PS para analisar o tema.

Renato Sampaio diz que “ao contrário de outros” não renega as amizades

O líder da Federação do PS no Porto e um dos mais acérrimos “socratistas”, Renato Sampaio, reagiu no Facebook, onde começa por dizer que “ao contrário de outros” numa renegou as as suas amizades. O “ao contrário de outros” pode ser entendido como uma indireta a António Costa, já que José Sócrates chegou dizer, em entrevista ao jornal La Voz de Galicia, que Costa era seu amigo, mas “virou-lhe as costas”.

Renato Sampaio diz que não renegará as suas amizades “em qualquer circunstancia”, uma vez que “a amizade é um valor que me ensinaram a preservar”. E acrescenta: “José Sócrates é meu amigo e meu camarada”. O deputado do PS destaca que “como militante socialista” sempre impôs a si próprio “uma rigorosa contenção verbal“, destacando que é isso que “o PS precisa (…) em vésperas de um importante congresso”. Renato Sampaio considera assim “indispensável manter a serenidade”e promete que não dirá “nem mais uma palavra a não ser dizer que hoje é um dia muito triste”.

Vítor Ramalho. Sócrates é “um animal feroz que se sente ferido”

O dirigente nacional do PS defende que a partir de agora “a situação vai complicar-se e não simplificar-se”. Vítor Ramalho considera que “um animal feroz que se sente ferido”, referindo-se a José Sócrates, “não sai do partido para passar a ser ungido do Senhor”. O elemento da Comissão Política do Partido Socialista garante que o antigo primeiro-ministro vai continuar a “tomar posições sobre quem tardiamente tomou estas posições”. Em declarações à SIC Notícias, Vítor Ramalho alertou ainda para a importância de clarificar “muito bem as posições dos ideários dos partidos” e afirmou que isso não está a ser feito.

(em atualização)

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