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Caso José Sócrates

Deputados do PSD querem apertar o cerco aos ministros de Costa que estiveram nos governos de Sócrates

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Na reunião do grupo parlamentar do PSD, vários deputados exigiram a Negrão que aperte o cerco aos atuais ministros que estiveram nos governos de Sócrates. "Este PS é aquele PS", frisou Aguiar Branco.

MIGUEL A. LOPES/LUSA

A reunião do grupo parlamentar do PSD foi esta quinta-feira dominada pelo ‘caso Sócrates’, com vários deputados a exigirem a responsabilização política dos atuais governantes, incluindo António Costa, que integraram o ‘núcleo duro’ do antigo primeiro-ministro socialista.

A intervenção do líder parlamentar no debate quinzenal com o primeiro-ministro, que na quarta-feira confrontou António Costa sobre a estratégia do PS em relação aos casos judiciais de José Sócrates e Manuel Pinho, foi genericamente elogiada, embora alguns deputados lamentassem que Fernando Negrão não tivesse dedicado toda a sua intervenção a este tema.

Miguel Morgado, antigo assessor político do ex-primeiro-ministro e ex-líder do PSD Pedro Passos Coelho, foi o primeiro a introduzir o assunto na reunião da bancada e chamou a atenção que o atual ‘núcleo duro’ do Governo, incluindo António Costa, estiveram nos executivos liderados por José Sócrates, agora acusado de três crimes de corrupção passiva de titular de cargo político, 16 de branqueamento de capitais, nove de falsificação de documentos e três de fraude fiscal qualificada.

De acordo com relatos da reunião à porta fechada feitos à Lusa, o deputado social-democrata defendeu que esses governantes não podem dizer que não sabiam de nada, insistiu que são “politicamente responsáveis” e lamentou que o PS continue a exercer o poder com uma visão de “dominação da sociedade”, pedindo ao PSD que continue a exigir explicações.

Na mesma linha, o ex-ministro da Defesa José Pedro Aguiar-Branco salientou que “este PS é aquele PS” e que “este Governo é aquele Governo” e exigiu ao PSD que seja consequente e não deixe cair este assunto, concentrando-se nos atuais ministros que estiveram no executivo de Sócrates.

Entre os atuais governantes que integraram os executivos de Sócrates encontram-se Augusto Santos Silva, Vieira da Silva, e o próprio primeiro-ministro, António Costa.

Alguns deputados, incluindo Aguiar-Branco, questionaram se o PSD poderá continuar a fazer acordos com o atual Governo socialista, ao mesmo tempo que o ataca neste âmbito.

O deputado Luís Campos Ferreira defendeu mesmo que o PSD devia ponderar a realização de uma comissão de inquérito alargada a áreas como a OPA sobre a Portugal Telecom e a Parque Escolar, o que não foi rejeitado por Negrão.

O líder parlamentar do PSD, que hoje não prestou declarações aos jornalistas no final da reunião, informou que tem estado em contacto com o presidente do partido, Rui Rio, para coordenar a intervenção neste tema e assegurou que “não largará o assunto”.

A ex-ministra da Justiça Paula Teixeira da Cruz defendeu que foi no anterior governo liderado por Passos Coelho que se registou o “maior combate à corrupção”, enquanto a antiga ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque quis distinguir os casos de governantes do PSD que têm sido envolvidos em processos judiciais depois de saírem do poder, na sua vida profissional, e os casos no PS, que se verificam no exercício de funções.

Na quarta-feira, o líder parlamentar do PSD arrancou o debate quinzenal com perguntas a António Costa sobre a estratégia dos socialistas em relação a José Sócrates: “Porque razão o PS demorou mais de três anos a demarcar-se de José Sócrates e do seu comportamento?”, questionou Negrão, inquirindo se o PS “teve medo de ser contaminado eleitoralmente” com este tema.

Na resposta, Costa acusou Negrão de “deslealdade parlamentar e só aceitou responder na qualidade de cidadão, invocando o princípio da separação de poderes.

“Relativamente ao caso do engenheiro José Sócrates, desde a primeira hora que disse que, não obstante, as relações de amizade, camaradagem, entendi que o PS se devia manter apartado desse debate e devia confiar no sistema de justiça”, afirmou, assegurando que não mudou “em nada” a sua posição sobre a matéria de invocação do princípio da separação de poderes.

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