Rádio Observador

Seleção Nacional

A ausência, a surpresa e… Eder

163

Muitos são os que lá queriam estar e não estão. Outros estão e merecem estar. Outros estão mas não deviam talvez, de tão fracas que foram as suas épocas. E depois há o caso de Eder.

FRANCK FIFE/AFP/Getty Images

A SURPRESA

Rúben Dias

Parte da razão pela qual Portugal venceu o Europeu (houve obviamente um irrepetível alinhamento planetário e ainda bem que houve) foi a solidez da sua defesa. Após três empates seguidos, que ainda assim valeriam o apuramento para os oitavos-de-final, Fernando Santos sentaria o habitué Ricardo Carvalho e Fonte, sem passado de Seleção mas com traquejo de Premier League, assumiu-se como parelha de Pepe dali em diante. E o “diante” foi a vitória à Croácia, à Polónia, a Gales e à França. Agora, e olhando à idade avançada de Fonte (e mais avançada é a de Bruno Alves), olhando ao facto de competir na China e liderar a defesa do penúltimo classificado (Dalian Yifang) dessa pouca competitiva prova, Fernando Santos até pode começar por jogar pelo seguro, apostar na dupla do Europeu, Pepe-Fonte, mas não estranharia a ninguém que Rúben assumisse a posição ao lado de Pepe se os resultados começarem a complicar-se. A verdade é que Rúben, titular do Benfica nesta época, não é já o defesa central do futuro na Seleção. Esses são Diogo Queirós e Diogo Leite do Futebol Clube do Porto, Ferro e Pedro Álvaro, que como Rúben Dias são do Benfica, Tiago Djaló e Eduardo Quaresma do Sporting. Rúben é o central do presente, quem sabe já da Rússia. É ele a surpresa (mais até do que Ricardo Peireira ou Manuel Fernandes, que fizeram épocas tremendas, mais o segundo que o primeiro, nas respetivas equipas e surpresa seria a ausência deles) do selecionador nacional na convocatória. Se Danilo não se tivesse lesionado com gravidade, por exemplo, tudo levava a crer que Santos convocaria apenas três centrais (Pepe, Fonte e Alves), assumindo que Danilo seria o quarto e abrindo espaço à chamada de outro médio, o que impediria a chamada de… Rúben — ou Rolando, ou Luís Neto. “Sorte” Rúben teve, talento ele tem. Veremos.

A AUSÊNCIA

André Gomes

Se o leque de recrutamento fosse maior, se Portugal tivesse as escolhas que o Brasil tem, que a França tem, que a Alemanha tem, ninguém duvide que muitos dos campeões europeus não estariam nesta lista final. Não é a qualidade que está em causa aqui. O que está em causa é que jogadores como Cédric, Guerreiro, Adrien, João Mário, Moutinho ou André Silva tiveram épocas abaixo do mínimo “olímpico”, uns nem titulares foram ao longo da temporada, outros foram-no (mais tarde ou mais cedo foram-no) mas desiludiram. Nani, por exemplo, e ao contrários de outros supracitados, não ouviu o seu petit nom ser anunciado por Fernando Santos. É justo. Na Lazio foi um flop e nem é certo que lá continue, Nani, na próxima época. André Gomes é um caso diferente no Barcelona. Qualidade ele tem. E o treinador Ernesto Valverde até foi apostando nele — e não é fácil ser-se aposta num meio-campo como o do Barça –, mas chegou o dia em que André, exausto, não só fisicamente mas sobretudo emocionalmente, desabafou em entrevista que não se conseguia divertir a jogar futebol como antes, que não desfrutava nem potenciava o que sabe — e que nos treinos até soltava para Valverde ver. Talvez deixe o Barça no Verão. Oxalá deixe. O Napóles quer André e Sarri pode retirar o melhor do médio, que é o rasgo e nunca um colete-de-forças tático. É a ausência principal entre chamadas. Esperar-se-ia que, dois anos volvidos após o Europeu, André Gomes fosse já um indiscutível da Seleção e que não tivéssemos que escrever tantas linhas sobre ele, ainda por cima estas. Ainda vai a tempo, André. Ainda vai.

EDER

Obrigado (e até à eternidade, Ederzito)

Sejamos honestos: a verdade é que pensámos todos no mesmo. Eder jogava em França quando em França nos fez felizes no futebol como nunca o fomos até então. Agora Eder está na… Rússia — e o Mundial joga-se lá. Certo, certo: a probabilidade de voltar a acontecer é… improvável. Tal como a convocatória o era, uma vez que o selecionador não convocou o ponta-de-lança para a Taça das Confederações, antecâmara do Campeonato do Mundo, e uma vez que Eder não era propriamente (apesar do golo decisivo que tornaria o Lokomotiv campeão) um indiscutível de Yuriy Semin, o treinador. Seja como for, convocado ou não, Eder já alcançou a eternidade. Aquela receção, orientada, que nos fez levantar das cadeiras — os que estavam já de pé levantaram-se mas por dentro –, aquela força que derrubou Koscielny, e Koscielny não é de se derrubar, aquele olhar para a direita e não passar a ninguém, assumir, assumir sem temores, aquele curvar de corpo, magnificente e belo, por tudo isso, a Eder não se pede desculpa pela ausência; o que tem é que se agradecer o feriado que decretou a 11 de julho, “cara***”.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)