O ex-ministro da Economia de José Sócrates não fala sobre as suspeitas de ter recebido 3,5 milhões de euros do “saco azul” do GES — só fala quando for interrogado pelo Ministério Público –, mas aceitou responder ao semanário Expresso a 16 perguntas sobre a sua vida pessoal e profissional. Conta que foi o atual primeiro-ministro, António Costa, que lhe apresentou José Sócrates, durante um jogo do Euro 2004, num camarote do BES, e que não lhe passa pela cabeça voltar à política. “Não sou político”, diz o ex-ministro do governo socialista que nunca militou no PS.

“Nunca desejei ter uma carreira política. Exerci funções de diretor do Tesouro num Governo do PSD e de ministro nu governo do PS. O PS aproximou-se de mim uma primeira vez em 1999 […], depois em 2004 para participar nos encontros da Lapa organizados por Eduardo Ferro Rodrigues, por quem tenho grande estima e consideração”, começa por dizer, recusando depois voltar a qualquer cargo político. “Não sou político. Exerci um cargo político temporariamente para servir o meu país, porque tive uma vida muito privilegiada relativamente à média e achei que devia contribuir para a causa pública”, afirma, nas respostas escritas.

Questionado sobre quando conheceu José Sócrates, o ex-ministro que tutelou a Economia entre 2005 e 2009, revelou detalhes do momento: “Foi António Costa quem nos apresentou durante o Euro 2004. Num jogo no estádio da Luz a que assisti com ele no camarote do BES, ele apresentou-me à saída José Sócrates”. E sobre a relação que mantinha com José Sócrates durante e depois de integrar o executivo, Manuel Pinho afirma que falava regularmente com o então primeiro-ministro. “Na altura da grande crise internacional, em que se pensava que o mundo ia acabar, não devia falar com ele quatro vezes por dia, mas antes 14 vezes por dia, porque parecia mesmo que o mundo ia acabar, foi o pânico total”, disse.

O presidente do Conselho de Administração da EDP, António Mexia, é também um dos alvos das questões daquele semanário. “É verdade que Mexia era uma visita frequente do Ministério da Economia quando era ministro e se estavam a desenhar os CMEC?”, questiona o jornal. “António Mexia era o presidente da maior empresa em que o Estado era accionista, ainda por cima num setor em grande transformação, pelo que era natural vir muitas vezes ao Ministério. Os CMEC são uma quetsão técnica que vinha dos anterior governos e que não era para ser tratada ao nível de um ministro ou de um presidente de empresa”, respondeu, garantindo que “os CMEC não são o principal responsável por os preços da eletricidade serem tão altos” — mas deixando essa questão para a comissão parlamentar de inquérito sobre as rendas da energia, onde vai ser ouvido.

Ainda assim, Manuel Pinto revela que conheceu António Mexia ainda antes de os dois terem trabalhado no BESI, “e mesmo antes de ambos darmos aulas na Universidade Católica nos anos 80”. A relação é pessoal: “Ele é padrinho da minha filha mais nova, mas depois cada um seguiu a vida para seu lado”.