Cinco dias depois dos bárbaros ataques a jogadores, treinadores e staff do Sporting na Academia, os leões jogaram mesmo a final da Taça de Portugal frente ao Desp. Aves (que chegou a estar em risco). E perderam, num dia onde se sentiu uma clara manifestação de milhares e milhares de pessoas nas bancadas do Jamor a colocarem o clube acima de qualquer protagonista e num dia em que houve sentimentos divididos na escadaria até à Tribuna de Honra, com os presentes maioritariamente a apoiarem os jogadores, mas alguns contestatários pela exibição e pelo resultado. Em resumo, na época em que o lema verde e branco foi “União de Aço”, as bancadas e o próprio clube não conseguiram disfarçar a clara divisão que reina em Alvalade.

Por isso, existem cinco grandes perguntas que terão sempre respostas nos próximos dias. Respostas que, por sua vez, irão definir o futuro do Sporting a breve e médio prazo, da parte futebolística à diretiva. Tudo com uma pessoa central: Bruno de Carvalho.

Algum jogador vai apresentar a rescisão unilateral de contrato?

Na reunião do plantel com o Sindicato dos Jogadores, na manhã da passada quarta-feira, o plantel decidiu que iria marcar presença na final da Taça de Portugal mas discutiu também nessa altura eventuais medidas futuras, nomeadamente a hipótese de poderem avançar com rescisões unilaterais de contrato por entenderem que não estão reunidas as condições mínimas para prosseguir a carreira no clube. Uns demarcaram-se dessa possibilidade, outros mantiveram-na em cima da mesa.

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E Bruno de Carvalho está consciente disso, como se percebeu na conferência que deu este sábado onde utilizou o exemplo de Bruma para deixar claro que, caso essa situação aconteça mesmo, o Sporting vai à luta para defender os seus interesses. Este fim de semana, alguns jornais avançaram com a informação que cinco jogadores poderiam tomar essa atitude; o Observador confirmou apenas dois casos de atletas apostados em seguirem em frente com essa intenção. Esta segunda-feira será uma espécie de dia D neste dossier, havendo a clara perceção que, a haver algo, terá de ser feito agora que a temporada terminou.

Bruno de Carvalho vai reunir com Jorge Jesus?

A época chegou ao fim da pior forma para o Sporting e, uma semana depois de ter demonstrado o seu desagrado por tudo aquilo que os leões perderam ao falharem a Liga dos Campeões (22 milhões de euros, que já estavam contabilizados apesar de ser necessário ainda passar uma pré-eliminatória e um playoff para alcançar a fase de grupos), Bruno de Carvalho terá de prosseguir a preparação da próxima temporada. No entanto, se recuarmos uma semana, a reunião do presidente leonino com o treinador acabou com a clara ideia das duas partes de que se tinha chegado a um “fim de linha” (expressão utilizada nesse encontro). Jesus recusou a hipótese de chegar a um acordo mútuo para revogar o último ano de contrato, o líder verde e branco levantou a possibilidade de ser instaurado um processo disciplinar por uma série de factos que não são ainda conhecidos. Olhando para este cenário, e juntando tudo o que se passou esta semana, a saída de Jesus parece inevitável; agora, será que vai planificar a próxima temporada? E, se não for, tendo em conta que André Geraldes ficou impedido de contactar as pessoas do Sporting e da SAD numa das medidas de coação da operação CashBall, como será feito esse trabalho?

Como irá reagir Marta Soares depois de ter sido afastado da Tribuna?

Em termos “políticos”, o dia ficou marcado por três grandes ideias: 1) a Assembleia Geral de Obrigacionistas votou de forma unânime a favor da passagem do vencimento do Empréstimo Obrigacionista 2015-2018 de maio para novembro (com os juros respetivos desse período) e os presidentes da Mesa da Assembleia Geral e do Conselho Fiscal e Disciplinar da SAD, João Sampaio e Rui Moreira de Carvalho, anunciaram que não pretendem apresentar a demissão “a bem do Sporting”; 2) Jaime Marta Soares, em resposta às palavras da véspera de Bruno de Carvalho, garantiu que, caso o atual líder se demita, irá marcar de imediato eleições no clube; 3) o Sporting teve como representantes no Jamor os presidente da Mesa e do Conselho Fiscal da SAD e não o líder da Assembleia Geral do clube, o que deixou Jaime Marta Soares visivelmente desagrado. O que se seguirá? Avançará o presidente da Mesa com o tal processo disciplinar como tinha anunciada na passada quarta-feira?

Terá chegado ao fim a razia de demissões nos órgãos sociais?

Conselho Leonino à parte, que tem vindo a somar demissões atrás de demissões mas que, na prática, acaba por não contar (de tal forma que, a partir das próximas eleições, deixará de existir, como foi votado na última Assembleia Geral no Pavilhão João Rocha), o Sporting somou um total de 16 demissões nos últimos dias: cinco no Conselho Diretivo, cinco na Mesa da Assembleia Geral e seis no Conselho Fiscal e Disciplinar.

No caso dos dois últimos órgãos, terá de haver eleições para nomear novos coletivos; no caso do primeiro, as mesmas não fazem “mossa”… mas podem levar o clube para eleições antecipadas. Bruno de Carvalho agradeceu a esses elementos (o vice Carlos Vieira e os vogais Rui Caeiro, Luís Roque, Alexandre Godinho, José Quintela e Luís Gestas) mas também admitiu que têm existido muitas pressões e “chantagens” para que pelo menos dois caiam. Passada a final da Taça de Portugal, que era um momento importante para tomar grandes decisões políticas, veremos se vai continuar a mesma coesão nos “resistentes” do Conselho Diretivo ou se alguma coisa mudará e alguém apresenta a demissão.

Que outras manobras externas poderão aparecer esta semana?

Começa a ser demasiado claro o cerco que um grupo de pessoas do universo Sporting montou a Bruno de Carvalho e as várias intervenções públicas de figuras como José Maria Ricciardi, Álvaro Sobrinho ou Rogério Alves, além da carta aberta assinada por 32 “notáveis” ao plantel leonino, provam isso mesmo. Mas há mais possibilidades que começam a ser abertas: segundo soube o Observador, estará a ser concluída uma participação por gestão danosa contra o presidente leonino; e, em paralelo, haverá um movimento pronto para recolher as assinaturas necessárias e avançar para uma Assembleia Geral Extraordinária com o intuito de destituir Bruno de Carvalho. Nesta fase, tudo parece servir para colocar mais pressão no líder do Sporting.