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Trinta e dois países, incluindo Portugal, condenaram esta segunda-feira “nos termos mais fortes” o recurso do Irão a ataques e outras atividades híbridas contra os seus países e parceiros.

Numa declaração conjunta, publicada pelo Governo britânico, os ministros dos Negócios Estrangeiros da Austrália, França, Reino Unido e EUA, entre outros países, reconheceram a “atribuição feita pelo Reino Unido do envolvimento do Irão no incidente registado na base aérea RAF Fairford”, em 27 de setembro.

Londres concluiu que aquele acontecimento demonstra a “disposição persistente da Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC na sigla inglesa) em projetar atividade hostil para além das suas fronteiras, por meio de redes clandestinas e atores próximos”.

Em causa estão atividades como “planos letais, incêndios, sabotagem, ciberataques”, refere o texto.

A declaração surge pouco após uma recente campanha de ataques na Europa contra comunidades judaicas, jornalistas iranianos e interesses dos Estados Unidos, reivindicada pelo grupo afiliado Harakat Ashab al-Yamin al-Islamiya (HAYI).

“Qualquer tentativa do Irão de ameaçar, silenciar, intimidar, assediar, prejudicar ou coagir pessoas nos nossos territórios, mediante intermediários ou de qualquer outro meio, é inaceitável”, afirmaram os ministros.

Os signatários prometeram medidas para identificar, investigar, perturbar e processar atividades hostis em nome do Irão, ou de qualquer outro Estado.

“O Irão não deve ter dúvidas de que estamos unidos e continuamos empenhados em salvaguardar a nossa soberania e reforçar a coordenação internacional, reforçando a resiliência nacional, protegendo as nossas comunidades e garantindo que os responsáveis são chamados a prestar contas”, conclui a declaração.

O primeiro-ministro britânico Andy Burnham afirmou esta segunda-feira que o incidente ocorrido perto da base aérea britânica de Fairford foi “quase de certeza orquestrado” pela Guarda Revolucionária Islâmica do Irão (IRGC).

“Posso confirmar que, conforme a nossa avaliação, é altamente provável que tenha sido coordenado a partir do Irão e, quase de certeza, dirigido pelos Guardas da Revolução Islâmica do Irão”, afirmou o líder trabalhista no parlamento.

O embaixador iraniano foi convocado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico e Londres anunciou sanções a duas pessoas envolvidas em atividades de espionagem e ataques em nome do Governo do Irão na Europa e nos EUA.

A polícia britânica interveio em 27 de setembro perto da base aérea de Fairford (sudoeste de Inglaterra), utilizada pelos Estados Unidos para efetuar ataques contra o Irão, após ter sido alertada para a existência de “três veículos suspeitos”.

Seis britânicos e outro homem com dupla nacionalidade britânica e iraniana foram detidos no âmbito da investigação por suspeita de prepararem atos terroristas, mas libertados sob caução.

Nos veículos foi encontrada gasolina, mas não engenhos explosivos.