Jardim Zoológico

Girafa que morreu no zoo deixa cria de seis meses que ainda depende da progenitora

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Um visitante, já identificado pela PSP, tentou alimentar uma girafa, que acabou por cair no fosso. O animal morreu de colapso cardiorrespiratório. O zoo vai participar a situação à PSP.

A subespécie está classificada como vulnerável, devido à perda de habitat e à caça

© Hugo Amaral/Observador

O Jardim Zoológico de Lisboa vai fazer participação à Polícia de Segurança Pública (PSP) da situação ocorrida no sábado, quando um visitante tentou dar comida a uma girafa-de-Angola, provocando a sua morte, informou fonte do Jardim Zoológico ao Observador. Ao tentar aproximar-se de um visitante que quis dar-lhe comida, a girafa-de-Angola acabou por cair no fosso que separa os animais dos visitantes. A queda foi fatal.

O visitante foi identificado pela PSP, “encontrando-se o caso em apreciação”, revelou fonte do Jardim Zoológico num comunicado emitido esta terça-feira. Também as testemunhas que se encontravam no local foram identificadas. Foi ainda aberto um processo de averiguação interno.

Os resultados da necropsia já realizada permitiram concluir que a morte da girafa-de-Angola foi provocada por colapso cardiorrespiratório, na sequência da queda. A girafa tinha 11 anos e cinco meses e nasceu no Jardim Zoológico de Lisboa.

A morte desta girafa que nasceu no nosso Zoo, representa uma perda incalculável para todos os elementos do parque. A girafa-de-angola é uma das espécies mais emblemáticas e uma das mais queridas dos nossos visitantes”, disse o administrador do Jardim Zoológico, Carlos Agrela Pinheiro, em comunicado.

A subespécie, de nome científico giraffa camelopardalis angolensis, está classificada como vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza, devido à perda de habitat e à caça. Só existem em três jardins zoológicos na Europa: Lisboa, Dortmund, na Alemanha, e em Amersfoort-Utrecht, na Holanda. As girafas-de-Angola são provenientes, como o nome indica, de Angola, uma vez que não existem noutros locais do mundo.

Os responsáveis do Jardim Zoológico voltaram a lamentar no comunicado desta terça-feira que “apesar dos inúmeros avisos dispersos por todo o Zoo, incluindo instalações, bilheteiras, folhetos e vídeos de apresentação de regras do parque” os visitantes, desde crianças a adultos continuem a “alimentar os animais, desrespeitando as normas de segurança definidas”.

A girafa que morreu tinha 11 anos e cinco meses. A cor e o padrão da pelagem desta espécie varia conforme a zona geográfica. É o animal mais alto do Mundo, só o seu pescoço pode medir 2 m. Nos machos, as formações córneas revestidas por pele no topo da cabeça, são antecedidas por uma pequena proeminência no meio da fronte, segundo o site do zoo. Os machos estabelecem a hierarquia no grupo através de demoradas lutas em que utilizam o pescoço que lançam de encontro ao outro macho, até que o lugar de cada um no grupo seja definido. É uma espécie pacífica e não territorial. Nas horas de maior calor rumina e dorme, maioritariamente de pé, pode ainda ler-se na zona de informações do zoológico lisboeta.

Antes da morte da girafa, o zoo tinha três machos e quatro fêmeas. “Nós fomos os primeiros a ter a subespécie e, a partir daqui, saíram outros animais para outros Jardins Zoológicos, dois em Espanha e um em França. A ideia do coordenador da espécie é a de manter junto da Península Ibérica o núcleo de animais desta subespécie para facilitar a troca entre Jardins Zoológicos. O transporte de uma girafa é sempre um procedimento muito complicado. Só há uma empresa ou duas na Europa a fazer transporte de girafas, portanto, quanto mais curta for a viagem melhor”, explicou José Dias Ferreira, coordenador dos mamíferos do Zoo de Lisboa.

Segundo informações do Jardim Zoológico de Lisboa, o declínio da girafa-de-angola, uma subespécie com uma pelagem única, no habitat levou a que a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) a classifique atualmente como “vulnerável”.

Cria já não era amamentada mas ainda estava dependente da progenitora

A girafa-de-Angola que morreu este sábado deu à luz, a 16 de novembro do ano passado, depois de uma gestação de 15 meses. Apesar de já comer sozinha (esta subespécie costuma ser amamentada até aos oito meses de vida), a cria de seis meses ainda estava dependente da progenitora. As crias das girafas-de-Angola permanecem dependentes até aos dois anos de idade.

O facto desta girafa ter sido mãe em Novembro do ano passado, transtorna-nos ainda mais. A cria que já se alimenta sozinha, continuará integrada no restante grupo”, acrescentou também Carlos Agrela Pinheiro, em comunicado.

A cria nasceu com quase 1,90 metros de altura e foi apadrinhada pela TAAG – Linhas Aéreas de Angola, que contribui já para a sua alimentação e cuidados diários.  O nascimento da girafa-de-Angola e os primeiros passos foram filmados pelo próprio treinador da mãe. “É a melhor forma de o fazer, porque as girafas estão habituadas àquela pessoa [ao treinador] e a mãe ficou tranquila enquanto o tratador filmava”, explicou na altura José Dias Ferreira, coordenador dos mamíferos do Zoo de Lisboa, à agência Lusa.

Como marca madrinha, a TAAG escolheu também o nome para esta pequena girafa: Welwitchia. Não foi um nome ao acaso, Welwitschia é uma planta endémica do deserto de Namibe, que ocupa a Namíbia e Angola, considerada um “fóssil vivo”.

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