Catherine Healy, antiga trabalhadora do sexo, foi reconhecida pela rainha Isabel II com a Ordem de Mérito por ter conduzido uma campanha de descriminalização da prostituição na Nova Zelândia, que foi bem-sucedida.

O papel ativista que Healy desempenhou foi crucial para a aprovação de uma lei em 2003 que garantiu a igualdade de direitos laborais para os trabalhadores do sexo, razão pela qual foi reconhecido pela Rainha, na segunda-feira. “Fiquei surpreendida quando me disseram. Estou em choque“, contou Healy à BBC.

Há umas semanas nunca teria pensado que isto seria possível. É sinal de mudança nas atitudes das pessoas e é bonito sentir-se apoiado. Mas ainda há muito trabalho por fazer”, acrescentou.

A distinção foi criada em 1996 pela própria Rainha e deve ser atribuída às “pessoas que, em qualquer campo, tenham prestado um serviço à Coroa ou à nação ou que se tenham distinguido pela sua excelência, talento, contribuições”. A nomeação de Catherine Healy coincidiu com o 65.º aniversário da ascensão de Isabel II ao trono britânico.

Antes de se tornar trabalhadora do sexo, na década de 80, lê-se no El País, Healy trabalhou como professora primária. Quando se deparou com a falta de proteção, segurança e direitos das prostitutas começou a sua missão no sentido de inverter a situação. “Falavam de nós de forma desrespeitosa. Precisávamos de encontrar a nossa voz e de ser compreendidas“, explicou.

Assim, depois da experiência que passou, em 1987 criou o Coletivo de Prostitutas da Nova Zelêndia (NZPC), que defende precisamente os direitos das pessoas que exercem trabalho sexual. A organização esteve envolvida numa larga campanha de despenalização do trabalho sexual e sempre defendeu que fazê-lo ia tornar a profissão mais segura — o que acabou por acontecer anos mais tarde.

À publicação britânica, Healy descreveu este reconhecimento como “muito significativo”, mas crê que “ainda há um grande estigma em torno do trabalho sexual“. “Penso que os outros países deviam olhar para a Nova Zelândia”, concluiu.