A Polícia Judiciária está a investigar o roubo de uma medalha que pertencia ao espólio do Museu da Presidência. É a segunda vez que é investigado o desaparecimento de material pertencente a esta instituição na dependência do Presidente da República (na primeira vez o caso envolveu o anterior diretor do museu, que está agora acusado de vários crimes).  Desta vez, o assalto ocorreu entre o final da semana passada e o início desta. Assim que o roubo foi detetado foi comunicado inicialmente à PSP, que chegou a ir ao local, mas acabou por passar o caso para as mãos da PJ, que é a polícia responsável pela investigação deste tipo de crimes.

Contactada pelo Observador, a Presidência da República confirma o roubo e explica que comunicou o caso às autoridades policiais competentes, aguardando agora o resultado do inquérito.

Para além destas informações, não há, para já, mais pormenores sobre o assalto nem sobre o material que foi roubado do Museu da Presidência da República.

Do museu constam várias peças que, nalguns casos, não têm valor material, mas que fazem parte de uma coleção que o site do museu descreve como “coleção única, cujo valor assenta na pluralidade e na capacidade de evocar referências basilares da memória colectiva.” Fazem parte do espólio presentes de Estado, mas também objetos pessoais dos Presidentes, documentos de arquivo e outras peças ligadas à instituição presidencial.

Em 2016 também foi notícia o desaparecimento de peças do espólio do museu da presidência. Na altura, o Ministério Público fez buscas na casa de Diogo Gaspar, o antigo diretor da instituição que funciona junto do Palácio de Belém, e apreendeu vários objetos pertencentes ao museu, incluindo um retrato do ex-presidente Jorge Sampaio, obra da pintora Paula Rego.

Gaspar, que chegou a ser detido depois de 12 anos à frente do museu, está agora acusado pelos crimes de abuso de poder, participação económica em negócio, tráfico de influência, falsificação de documento, peculato e branqueamento de capitais, e na acusação o Ministério Público sustenta que “o arguido que exercia funções no Museu da Presidência da República utilizou a sua posição, funções e atribuições para obter vantagens patrimoniais e não patrimoniais indevidas, em seu benefício e de terceiros”.

Diretor do Museu da Presidência detido pela PJ. Marcelo diz que se tratam de “factos antigos”

O caso fez manchetes na altura e o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa foi rápido a comentar o assunto,  lembrando que os factos em investigação eram “factos antigos”, anteriores ao seu mandato em Belém, e que Diogo Gaspar não tinha sido uma escolha sua.

Na mesma altura o chefe do Estado deu instruções em Belém para que se reforçassem as medidas de fiscalização, controle da despesa e de luta contra atividades ilícitas.