O navio “Aquarius”, que transporta mais de 600 migrantes e que navega há dias no Mediterrâneo, vai mesmo atracar em Espanha, conforme informou a coordenadora dos Médicos Sem Fronteiras na terça-feira, escreve o El País.

Depois de Espanha se ter oferecido para receber os refugiados e de o porto de Valência ter sido aberto, o responsável pela embarcação “Aquarius” informou que não havia condições para chegar em segurança ao porto espanhol. A hipótese tinha sido considerada de risco, mas agora já é possível, uma vez que dois barcos militares italianos vão ajudar a processar toda a operação.

O “Aquarius” — fretado pelos Médicos Sem Fronteiras e pela SOS Mediterránée — transportará uma centena de migrantes e está previsto que os restantes viajem em dois navios da Guarda Costeira e da Marinha Italiana. Esta manhã, as autoridades italianas dispuseram-se a levar alimentos e medicamentos até ao “Aquarius”.

No vídeo abaixo pode ver-se o a mbiente que se vivia no “Aquarius” depois das operações de entrega de mantimentos:

Desta forma, Itália facilita a saída do barco das suas águas, permitindo que viaje até Valência com as 629 pessoas, 123 das quais são menores não acompanhados e seis grávidas. Sem a ajuda das forças militares italianas, seria impossível fazer o trajeto — o barco encontra-se a cerca de 700 milhas do porto espanhol — em segurança devido ao elevado número de pessoas.

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O primeiro-ministro maltês agradeceu a Pedro Sánchez a disponibilidade para acolher o “Aquarius”. Depois de os governos italiano  e maltês terem recusado receber os refugiados, o presidente do governo de Espanha anunciou que Valência seria o “porto seguro” para a operação humanitária. “É nossa obrigação ajudar a evitar uma catástrofe humanitária e oferecer um porto seguro a estas pessoas, cumprindo desta maneira as obrigações do Direito Internacional”, referiu na segunda-feira.

A presidente da Câmara de Madrid, Manuela Carmena, escreveu no Twitter que a capital espanhola pode acolher 20 famílias, até um máximo de 100 pessoas, que se encontram a bordo do navio. A Câmara de Madrid está a aguardar que o Governo central aceite a oferta. “Com a ajuda de todos a situação pode ser resolvida em breve”, escreveu a autarca.

A vice-presidente do Governo, Carmen Calvo, pediu ao presidente da Federação Espanhola de Municípios e Províncias (FEMP), Abel Caballero, que coordene as ofertas que estão a chegar aos municípios para hospedar os 629 passageiros.

Valência prepara-se para receber migrantes

A vice-presidente do governo valenciano, Mónica Oltra, adiantou que a Cruz Vermelha já preparou a receção aos imigrantes transportados pelo navio “Aquarius”. É a Cruz Vermelha que vai ficar responsável pelo acolhimento dos passageiros durante as primeiras horas e também durante os primeiros dias. Os voluntários já estão a preparar camas, alimentos e medicamentos necessários.

Josep Borrell, ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, escreveu no Twitter que estão a processar a autorização para que o navio possa fazer escala no porto espanhol.

“Aquarios” está “em águas internacionais”

Um barco da Guarda Costeira italiana e outro da Marinha, com voluntários da Ordem de Malta e da Unicef a bordo, devem chegar nas próximas horas à zona onde se encontra o “Aquarius” para transportar cerca de 500 migrantes, escreve a agência Efe.

A Guarda Costeira italiana disse, em comunicado, que “nas próximas horas” vai realizar a transferência de parte dos migrantes para os barcos italianos, com o objetivo de iniciar a travessia que deverá demorar cerca de quatro dias.

O navio encontra-se agora em “águas internacionais”, entre a ilha italiana de Sicília e Malta, e está em contacto permanente com o Centro Nacional de Coordenação de Socorro Marítimo da Guarda Costeira de Roma (IMRCC) e sob supervisão das suas patrulhas, prontas para prestar quaisquer cuidados de saúde, caso seja necessário.

O Governo de Pedro Sánchez vai dar prioridade às 123 crianças que viajam no “Aquarius” e pretende mantê-las em Valência, uma vez que podem precisar de cuidados especiais.  “Vamos tentar fazer os possíveis para que as crianças que venham em núcleos familiares se mantenham juntos e para que os mais pequenos permaneçam em Valência”, explicou a vice-presidente, Carmen Calvo.

Os Médicos Sem Fronteiras insistem, contudo, que a melhor opção é desembarcar todos os passageiros num porto próximo e depois transferi-las então para Espanha ou outros países porque as pessoas se encontram exaustas e precisam de descansar, uma vez que a viagem até Espanha demora mais de quatro dias a ficar completa.

O médico que se encontra a bordo do “Aquarius” diz que não se pode atrasar mais o descanso das mais de 600 pessoas que ali se encontram. “A prioridade deve ser desembarcar imediatamente as 629 pessoas, incluindo 123 menores acompanhados, 11 crianças e seis mulheres grávidas, no porto seguro mais próximo. A situação médica a bordo mantém-se estável por agora, mas as pessoas estão exaustas e stressadas”, explicou David Beversluis.

Transferência dos migrantes começa a ser feita

Depois de as organizações humanitárias terem explicado aos migrantes que vão ser levados para Espanha — e não  de volta para a Líbia, como muitos pensam — a transferência dos passageiros começa agora a ser efetuada para um barco da Marinha italiana. Quando estiver mais liberto, o “Aquarius” poderá seguir viagem em direção a Valência.