O projeto de lei apresentado pelo PAN – Partido Pessoas-Animais-Natureza – para acabar com as touradas em Portugal é levado a debate esta sexta-feira no Parlamento. Através de apenas três artigos, o partido quer abolir as corridas de touros, ver revogadas as normas que vão contra esse princípio e publicar as leis.

O deputado André Silva, o único deputado do partido, disse à agência Lusa que este “é o sentimento geral da sociedade portuguesa, o que se sente na rua, o que se sente nas redes sociais”.

Esta não é a primeira vez que o tema vai ao Parlamento para ser discutido. No entanto, nunca foi apresentado nestes moldes. “O que está aqui em causa é uma atividade que vive do sofrimento alheio, da dependência alheia”, disse o deputado em entrevista à SIC, na quinta-feira, afirmando que “a situação económica [das touradas] é falaciosa” e que cada vez menos municípios têm uma prática tauromaquia.

Segundo o Diário de Notícias, apenas o Bloco de Esquerda deverá votar a favor da proposta, apesar de a deputada Maria Manuel Rola ter sublinhado que a abordagem do projeto deveria ter sido “mais pragmática”. Pelo contrário, o PSD poderá não dar liberdade de voto, o PS terá tomado uma posição oficial contra o projeto e o PCP e CDS também estão contra a proposta de abolir as corridas de touros em Portugal.

No documento do projeto de lei, André Silva invoca argumentos históricos, económicos e sociais para defender o fim dos espetáculos com touros, incluindo “o declínio da indústria tauromáquica”.

Os Bloco de Esquerda tem também dois projetos de lei, diferentes do que foi apresentado pelo PAN, defendendo a proibição de financiamento público das touradas e obrigando a sua transmissão na televisão apenas em horas tardias e com bolinha vermelha.