No ano passado, o Sporting anunciou uma nova forma de recrutar funcionários através do seu site oficial com o seguinte texto: “Trabalhar no Sporting é muito mais do que ter um emprego. É poder fazer parte de uma instituição centenária. É poder ajudar a fazer crescer a maior potência desportiva nacional, ajudando a materializar a visão do nosso fundador: ‘Fazer do Sporting um Clube tão grande como os maiores da Europa’”. Depois surgiam algumas hipóteses como a Sporting Training Academy, os estágios curriculares e académicos, o Sporting Summer Internship ou as candidaturas espontâneas. Traçando uma analogia com o atual período pré-eleitoral, é neste ponto que tudo se encontra – as candidaturas espontâneas. Que são quatro até ao momento, que serão cinco a partir desta noite com o antigo Bruno de Carvalho, que passarão a seis até ao final da semana com o avanço do ex-número 2 do último elenco Carlos Vieira, que poderão chegar às oito até ao final do mês, com a entrada em cena mais do que confirmada de João Benedito e da possibilidade por confirmar de Miguel Albuquerque.

Para já, Frederico Varandas, Fernando Tavares Pereira, Pedro Madeira Rodrigues e Dias Ferreira são os quatro nomes que manifestaram, de forma oficial ou através de entrevista ainda sem anúncio a toda a comunicação social (no caso do advogado), a intenção de se apresentarem a votos a 8 de setembro. Agora, outros tantos se podem seguir. O Observador resume o ponto em que estão todas as listas e possíveis listas até ao momento, numa corrida que, a não ser que existam demasiadas baixas ou fusões, corre o risco de ser a mais disputada de sempre, superando os cinco nomes do sufrágio eleitoral de 2011.

Frederico Varandas, “Unir o Sporting”

O antigo responsável pelo departamento clínico do Sporting encontra-se nesta altura a pautar o ritmo desta corrida à liderança dos leões, apoiado numa estratégia de apresentação e consolidação bem montada e que se antecipou a todos os cenários possíveis no seguimento da crise institucional que o clube atravessa sobretudo desde os ataques na Academia a 15 de maio. Anunciou poucos dias depois da final da Taça de Portugal que estaria disponível para fazer parte da solução para o futuro verde e branco, foi o primeiro a anunciar a candidatura três dias depois da Assembleia Geral que sufragou a destituição de Bruno de Carvalho e restante Conselho Diretivo com uma Comissão de Honra onde integrou alguns nomes com peso “político” no clube, apoiou a aposta da nova SAD em José Peseiro e, no início da semana, anunciou Rogério Alves como candidato à liderança da Mesa da Assembleia Geral. Esta tarde, e enquanto vai tendo reuniões com franjas do universo leonino (Grupo Stromp) e outras federações (com a de basquetebol), apresenta oito ideias fortes para o futebol do Sporting, nomeadamente a estrutura da parte profissional (Hugo Viana é um dos nomes falados para ocupar uma vaga no organograma), a definição do departamento de recrutamento verde e branco e a ligação com a Academia e o pólo EUL, que tem as equipas até aos 13 anos.

Fernando Tavares Pereira, “Unidos Venceremos”

O empresário de Tábua acabou por ser a principal surpresa em relação ao xadrez que se começou a desenhar no final da época desportiva, quando se começou a perceber que o cenário de eleições antecipadas se estava a tornar inevitável. E tem uma outra curiosidade, que é o facto de ser o único a “descentralizar” o coração deste ato eleitoral de Lisboa, tendo mesmo feito o anúncio oficial em Coimbra. Defendendo que não apresenta qualquer Comissão de Honra porque “o Sporting é de todos, é dos ricos, é dos pobres, sejam pastores de ovelhas, doutores ou engenheiros”. Carlos Teixeira, antigo presidente da Câmara Municipal de Loures e candidato derrotado à autarquia de Lisboa, o antigo Secretário de Estado Rui Barreiro e as figuras das modalidades do clube Marco Chagas e Fernando Fernandes são alguns dos apoiantes. Não apresentou mais nenhum “trunfo”.

Pedro Madeira Rodrigues, “O Grande Sporting”

O candidato derrotado nas eleições de 2017 foi um dos nomes mais falados em relação a uma suposta “fusão” com outras listas, mas avançou na semana passada com o seu próprio projeto: admitindo que teve dificuldades em passar a sua mensagem no anterior sufrágio, reforçou que já previa o que iria acontecer no Sporting e tem colocado o enfoque destes primeiros dias não só no “despique” com Frederico Varandas mas também na apresentação de alguns dos pilares fundamentais do seu projeto e com nomes, como já aconteceu com o futebol. Assim, e depois do anúncio de Claudio Ranieri como novo treinador caso vença as eleições, explicou esta terça-feira o modelo que defende para os verde e brancos – Mariano Barreto ficará como coordenador do futebol, Luís Gonçalves será o secretário técnico, Delfim como team manager, José Lima na formação, Ricardo Pina Cabral na assessoria jurídica e os ex-jogadores Balakov, Marco Aurélio e Ricardo nas Relações Internacionais.

Dias Ferreira

O antigo vice-presidente no tempo de João Rocha e ex-presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sporting esteve vários dias em contactos exploratórios para perceber se teria condições para avançar com uma candidatura, até por não se rever nas ideias e nos nomes que começavam a sair ligados a Frederico Varandas, Fernando Tavares Pereira e Pedro Madeira Rodrigues. Assim, sentiu o desafio de tentar recuperar os 16,5% de votos que teve nas eleições de 2011, onde ficou no terceiro lugar, e anunciou esta sexta-feira na SIC Notícias que também avançará com uma lista ao sufrágio de 8 de setembro. Ainda não houve uma apresentação oficial, mas o advogado já deixou uma ideia sobre quem quer que esteja consigo no futebol: Paulo Futre.

Bruno de Carvalho, “Leais ao Sporting”

Bruno de Carvalho sempre teve no Facebook uma das principais ferramentas de comunicação (às vezes a principal, outras a única), chegou a desativar a sua página duas vezes admitindo que os sócios e adeptos leoninos não gostavam que funcionasse assim mas reativou e, agora, mesmo estando suspenso enquanto associado – pelo menos a Comissão de Fiscalização ainda não deu qualquer sinal em contrário dessa decisão –, anunciou através de um Live que seria candidato depois da destituição com 71% na última Assembleia Geral, apresentando esta noite de quarta-feira o seu projeto. Além dessa mensagem inicial, já disponibilizou também na página oficial da lista “Leais ao Sporting” o manifesto e programa eleitorais. Ainda assim, a maior curiosidade agora entronca nos nomes que irão acompanhá-lo nesta quarta ida às urnas desde 2011.

Carlos Vieira, “Sporting Primeiro”

A entrada em cena do antigo responsável pelas finanças do clube e da SAD não é propriamente uma surpresa, mas surge agora como tal porque a ideia inicial que se falava nos bastidores era a de ocupar o espaço eleitoral deixado por Bruno de Carvalho e não de poder entrar num cenário em que concorresse contra o antigo líder. Carlos Vieira deverá apresentar a intenção de ir a votos esta quinta-feira, fazendo-se acompanhar de alguns dos membros do Conselho Diretivo que também foram destituídos na última Assembleia Geral, casos de Rui Caeiro, José Quintela ou Luís Roque. Por responder ficará uma dúvida: o que mudou para que, dois meses depois, estejam do outro lado da barricada quando podiam ter “evitado” todos estes capítulos antes da AG com uma demissão que levaria à perda de quórum e consequente ato eleitoral antecipado?

João Benedito

Como o Observador já tinha anunciado por altura da candidatura de Frederico Varandas, o antigo capitão e campeão de futsal que é hoje gestor tem tudo pronto para avançar com uma candidatura à presidência do Sporting e, no atual cenário, é possível que essa apresentação oficial não passe das próximas duas semanas. João Benedito terá na sua lista outros nomes ligados ao desporto e ao clube, caso dos ex-campeões de andebol e ténis de mesa, Ricardo Andorinho e Pedro Miguel Moura, respetivamente, mas já se encontra numa fase bem mais adiantada, a nível de soluções futuras na vertente financeira, no futebol ou nas modalidades. O ex-número 1 está apenas a escolher o melhor timing para avançar, percebendo assim o tipo de mensagem que será importante passar mediante as candidaturas, as ideias e os nomes que sejam confirmados na corrida.

Miguel Albuquerque

O diretor geral do futsal do Sporting foi um dos últimos nomes apontados à presidência do clube, percebendo-se no universo verde e branco que havia algumas franjas que “apelavam” a esse possível avanço, ao mesmo tempo que algumas das candidaturas já apresentadas fizeram convites para que Miguel Albuquerque pudesse ficar com a pasta das modalidades, sinal de que o trabalho que foi fazendo em Alvalade vai merecendo ampla consideração no clube. Ainda não existe qualquer indicação sobre o futuro do responsável do futsal verde e branco, que se encontra agora a gozar um período de férias, sendo certo que, para avançar, estaria mais inclinado a assumir uma lista do que em entrar numa já existente. Ainda assim, Albuquerque não é a única possibilidade para surgir uma nova alternativa e as movimentações nos bastidores têm apontado para isso mesmo.