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Ford Europa planeia fazer cortes “agressivos”

Porque está “extremamente insatisfeita” com o seu desempenho na Europa, a Ford avisa que vai seguir raciocínio idêntico ao aplicado no mercado norte-americano: tudo o que não dá dinheiro é para cortar

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  • Observador

A Ford espera um ano completo de prejuízos na Europa, depois de ter tido lucros de 234 milhões de dólares em 2017. “Estamos extremamente insatisfeitos com o nosso desempenho na Europa”, confessou o CEO da marca, Jim Hackett.

O mais grave é que a situação não está a melhorar e é o próprio CFO, citado pela Automotive News, a admitir que a maior parte dos produtos que compõem a gama europeia da Ford não são rentáveis. O Brexit não terá ajudado às contas da companhia, é certo, mas também não ajudou o facto de a Ford ter “acordado” tarde para os SUV, que são justamente os modelos mais procurados pelos consumidores. No entanto, a marca da oval só tem três: EcoSport, Edge e o Kuga, este último descrito pelos próprios responsáveis do construtor como “envelhecido”.

Resultado? A Ford tenciona aplicar em solo europeu aquilo que já se propôs fazer no mercado norte-americano, ou seja, restringir a sua oferta àquilo que realmente vende. O resto será para cortar.

Se do outro lado do Atlântico, a estratégia passa por oferecer SUV e pick-up, deste lado também vai haver uma limpeza radical em busca de uma maior rentabilidade, o que significa que a marca se vai concentrar em reduzir custos ao máximo e, por tabela, a sua oferta. A prioridade irá para os segmentos que estão a registar maior procura e a gerar retornos interessantes, daí que os monovolumes C-Max, S-Max e Galaxy possam estar condenados, o mesmo acontecendo com o Mondeo (carroçaria sedan). Segundo a Automotive News, só as vendas do C-Max caíram 18% no último semestre, com apenas 31.888 unidades entregues a clientes. Os dados referentes às vendas dos outros modelos não foram mencionados, mas todos eles terão sido citados como potenciais alvos a abater.

Em compensação, EcoSport e Kuga bateram recordes de vendas no segundo trimestre de 2018, confirmando que a procura por SUV está em alta. Uma tendência que não passa despercebida aos olhos da Ford e que se deverá reflectir na reconfiguração do portefólio da marca, com o lançamento de novos modelos de acordo com este padrão, embora a companhia nada tenha adiantado em relação ao mix de produtos. Até 2020, além da nova geração do Kuga, pode surgir um substituto do EcoSport com base na plataforma do Fiesta europeu, antecipa a LMC Automotive.

Por outro lado, confirma-se que as parcerias são para manter e para cultivar. A Ford recorre aos motores PSA há já algum tempo e, ainda Junho, assinou um acordo com a Volkswagen para os comerciais.

A lógica de redução de custos continua com o anúncio de que a fábrica de caixas de velocidade em Blanquefort (Bordéus, França), que está à venda, irá ser fechada caso não surja nenhum comprador interessado.

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