A Ryanair voltou a dar mais um passo no longo caminho de polémicas em torno da companhia aérea irlandesa. Durante a greve de 25 e 26 de julho — a primeira a nível europeu na transportadora –, a Ryanair enviou um email a todos os tripulantes de cabine que aderiram à greve a avisar que quem não compareceu poderá ser prejudicado.

Todos as ‘não-comparências’ serão tidas em conta, bem como todos os fatores relevantes do seu desempenho, quando for para avaliar promoções e oportunidades de transferências“, pode ler-se no email enviado.

A companhia aérea assumiu que terá em conta a adesão de cada um dos trabalhadores à greve, quando tiver de decidir possíveis promoções ou deliberar pedidos de transferências de uma base aérea para a outra. A Ryanair explicou, no email ao qual o Observador teve acesso, que o facto de os tripulantes terem aderido à greve europeia desta semana é registado como uma “não-comparência” ao serviço. “Uma vez que a sua ausência não foi autorizada, fica identificada no seu registo como uma ‘não-comparência'”, explica a transportadora aérea no email.

O Observador questionou a Ryanair sobre o email enviado aos tripulantes que aderiram à greve. A resposta foi clara: “Não estamos de momento a tecer mais comentários sobre este tema.”

Avisos como estes por parte da Ryanair não são novidade. Quando, no final do ano passado, a companhia aérea começou a enfrentar os primeiros movimentos grevistas, o responsável pelo recursos humanos, Eddie Wilson, enviou uma carta a todos os trabalhadores que pensassem aderir à greve, ameaçando-os com “perda de futuros aumentos salariais, de transferências ou promoções.”

Antes da greve, a Ryanair já tinha enviado um email aos tripulantes para perceber se vão aderir à greve, incentivando-os a apresentarem-se ao trabalho. Logo nesse email,  a companhia avisava que quem aderisse à greve não seria pago e iria perder “o bónus de produtividade de julho no valor de 150 euros“, destacando que o prejuízo para os trabalhadores que adiram à greve podem ir dos 360 aos 480 euros.

Nos dias 25 e 26 de julho, os  trabalhadores da companhia aérea com base em Portugal, Espanha e Bélgica aderiram àquela que foi a primeira a nível europeu. Apesar de ter sido a primeira a nível europeu, foi a quinta greve a acontecer na companhia aérea irlandesa e a quarta num só mês.