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O Partido dos Trabalhadores brasileiro confirmou neste sábado a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República do Brasil, apesar de este estar preso desde o início do mês de abril pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, no âmbito da Operação Lava Jato.

O Ministério Público brasileiro considera que Lula favoreceu uma construtora (a OAS) em troca do pagamento das obras de remodelação de um apartamento de luxo que pertence ao ex-presidente do Brasil na praia de Guarujá, perto de Santos. Lula foi condenado em segunda instância e a sua condenação (pena de prisão de 12 anos e um mês) torna-o, de acordo com a lei brasileira, inelegível para as presidenciais.

No entanto, o PT indicou este sábado – durante a convenção nacional do partido – que Lula será o seu candidato. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) brasileiro terá a última palavra sobre se aceita ou não o nome de Lula às presidenciais. O prazo para apresentação dos nomes decorre até 15 de agosto.

“Viemos aqui para votar no nosso candidato a presidente, Lula. Este é um momento histórico. Lula é o nosso candidato a Presidente da República”, disse a senadora Gleisi Hoffmann na convenção, que se realizou em São Paulo.

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O candidato a vice-presidente (que poderá ser chave nas eleições caso Lula seja mesmo impedido de entrar na campanha) não foi definido nesta convenção, ao contrário do que se esperava.

Na noite de sexta-feira (madrugada de sábado em Lisboa), a senadora Gleisi (que é a presidente nacional do PT) anunciou que será a comissão executiva do partido a decidir (até ao dia 14 de agosto) o nome do candidato a vice-presidente, o número dois de Lula na corrida à presidência. De acordo com a imprensa local, Gleisi terá tomado essa decisão após uma reunião com Lula, e com a concordância deste.

Na convenção do PT, o ator brasileiro Sérgio Mamberti leu uma carta escrita por Lula a partir da prisão de Curitiba. O ex-presidente escreveu que se trata da primeira vez em 38 anos que não participa numa convenção nacional do partido, mas insistiu num conceito deixado no momento da sua prisão, a de que ele próprio já não é só um homem, uma vez que já se tornou numa ideia.

“Sei que estou presente em cada um de vocês”, disse Lula. “Nós tratamos a nossa gente como solução e por isso o Brasil mudou. Hoje a nossa democracia está ameaçada. Agora querem fazer uma eleição de cartas marcadas. Querem inventar uma democracia sem povo”, acrescentou.