Menos de três horas depois do alegado atentado contra a sua vida em Caracas, Nicolás Maduro surgiu no canal estatal venezuelano com muitas certezas e uma acusação, com nome e tudo: Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia, tentou assassiná-lo.

Neutralizámos a situação em tempo recorde. Foi um atentado para matar-me. Hoje tentaram assassinar-me e não tenho dúvidas que tudo aponta para a direita, a extrema-direita venezuelana em aliança com a extrema-direita colombiana e que o nome de Juan Manuel Santos está por detrás deste atentado.”

Na sua comunicação, o presidente da Venezuela revelou que já foram detidos vários suspeitos e disse que tem provas que já estão na posse das autoridades. Maduro prometeu “justiça e castigo máximo” para os responsáveis. “Esqueçam o perdão!”, afirmou ainda, citado pelo jornal espanhol El País.

Maduro descreveu ainda como reagiu ao som das alegadas explosões, que terá ouvido enquanto discursava num palanque ao ar livre: “A minha primeira reação foi de observação, de serenidade, porque tenho plena confiança nas Forças Armadas e na sua lealdade. Pensei que se tinha passado alguma coisa com um fogo de artifício”.

Seguiu-se o que o regime venezuelano considerará um aviso. Já a oposição achará que se trata de uma ameaça explícita: “Digo aos opositores que eu é que garanto a paz para que vocês possam viver neste país. Se algum dia me fizer alguma coisa, a direita ver-se-á cara a cara  com milhões de humildes, de operários e camponeses, de soldados nas ruas a fazer justiça pelas próprias mãos.

Colômbia nega ataque: “Presidente está empenhado no batismo da sua neta, não em derrubar governos estrangeiros”

A Presidência da Colômbia refutou a afirmação do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que acusou o seu homólogo colombiano, Juan Manuel Santos, de ter ordenado o alegado ataque de que foi alvo este sábado.

“Isso não tem base, o presidente está empenhado no batismo da sua neta Celeste, e não em derrubar governos estrangeiros”, disse uma fonte da presidência colombiana aos jornalistas, este sábado.

“Tudo aponta para a extrema-direita venezuelana, em aliança com a extrema-direita colombiana e tenho a certeza que Juan Manuel Santos está por detrás deste atentado”, denunciou Maduro, durante uma transmissão televisiva ao país, desde o palácio presidencial de Miraflores.

O Presidente da Venezuela explicou que Juan Manuel Santos vai abandonar a presidência do país, no dia 7 de agosto e que não podia deixar o poder “sem fazer dano” ao seu país.

A versão oficial acerca do incidente foi avançada por vários elementos do próprio regime venezuelano minutos depois das explosões, que indicaram que Maduro saiu ileso de um ataque com drones equipados com explosivos. Maduro discursava perante forças militares na Avenida Bolívar, em Caracas, na tarde de sábado (noite em Lisboa).

Nas últimas horas, começaram a surgir versões que contradizem a narrativa do governo venezuelano, nomeadamente a de que uma explosão acidental num apartamento próximo do local do desfile terá sido aproveitada pelas autoridades para construir um relato de um atentado falhado e assim abrir caminho a repressão contra as forças anti-regime. Que essa explosão num apartamento aconteceu, “é certo”, reportou um jornalista, colaborador da Vice e da Amnistia Internacional, na rede social Twitter. A dúvida é se além dessa explosão, terá existido ou não uma outra, resultante de um possível atentado contra a vida de Nicolás Maduro.