O segmento das carrinhas de luxo pode não incluir uma grande diversidade de propostas, mas há sempre um trio de marcas alemãs que disputa o estatuto da melhor do segmento. E a tarefa não é fácil, pois em contenda estão não só a A6 Avant da Audi, como também a Série 5 Touring da BMW e a Classe E Station da Mercedes. Isto se não considerarmos as propostas de recém-chegados com veículos igualmente interessantes, mas com menos pedigree, como o Volvo V90.

A este tipo de carrinhas pede-se de tudo um pouco, desde serem deslumbrantes a, no instante seguinte, serem igualmente versáteis e capazes de carregar com todas as necessidades de uma família numa ida de férias, o que torna a capacidade da bagageira um tema fulcral. Isto além de oferecerem os requintes típicos de um veículo de luxo, tecnologia a rodos – pois este tipo de clientes faz questão de ter à sua disposição o último grito em soluções técnicas, sejam elas viradas para o conforto ou para as ajudas à condução –, para culminar com uma eficácia que faça frente a muitos desportivos, apesar de se tratar obviamente de modelos mais generosos em termos de dimensões e peso.

Maior, mas sobretudo mais elegante

A nova Audi A6 cresce em termos de dimensões exteriores, anunciando 4,94 m de comprimento (mais 2,3 cm) 1,88 m de largura (mais 1,2 cm), 1,49 m de altura mais 3,3 cm) e 2,92 m entre eixos (mais 1,2 cm), o que deixa antever mais espaço a bordo, e todo ele a beneficiar o habitáculo, uma vez que a bagageira continua nos 565 litros, capacidade que pode disparar até aos 1.680 com o rebatimento dos assentos posteriores.

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Mas o que salta à vista é que o espaço interior não foi conseguido à custa da forma e muito menos do estilo, com a A6 Avant a exibir uma linha ainda mais esguia, graças a um portão traseiro mais inclinado e uma frente que parece maior e mais volumosa, conferindo à carrinha um ar mais possante, para o que contribui a nova grelha da marca de maiores dimensões, ladeada por faróis LED, tanto à frente como atrás, onde surgem ligados por um elemento transversal.

Pena é que, no processo, a Audi não tenha conseguido reduzir o peso da carrinha, que para a mesma mecânica acusa mais cerca de 60 kg quando colocada sobre a balança. Contudo, esta falta de dieta compreende-se pela inclusão de sistemas como a direcção às quatro rodas e o Mild Hybrid, ambos consideráveis pesados.

Como é por dentro?

Se quer fazer uma ideia como é o A6 Avant por dentro, imagine um A8 e retire-lhe um dedo na largura e um pouco mais no comprimento. Similar à berlina, a carrinha herda o painel de instrumentos digital, completado por dois ecrãs no centro do tablier, colocados um sobre o outro. É através deles que o condutor (e o passageiro) podem controlar todas as funções do veículo, o que se revela uma operação mais fácil do que é habitual noutros modelos.

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Os materiais utilizados são excelentes, tal como o rigor nos acabamentos, sendo evidente que há mais espaço lá dentro. Segundo a marca, quem se senta atrás tem mais 2,1 cm para acomodar as pernas, 1,4 cm para os ombros e 0,7 cm para os ombros.

Independentemente do incremento do espaço interior, o que melhorou igualmente foi o isolamento, com a carrinha A6 a filtrar melhor o ruído de rolamento e rumorosidade exterior. Conduzimos a versão equipada com motor 2.0 TDI, com quatro cilindros e outra com o 3.0 V6 e em ambos os casos o barulho e as vibrações da mecânica passaram a ficar “mais longe”.

A suspensão pneumática, disponível como opção em praticamente todas as versões, transforma a Avant num tapete mágico, incrementando o conforto (além de manter a altura constante e poder reduzi-la a alta velocidade, para reforçar a aerodinâmica), mas formando também um isolamento mais eficaz a tudo o que vem lá de fora, provocado pelo piso ou pelos pneus.

Que mecânicas estão disponíveis?

Para já o A6 Avant vai oferecer a maioria das opções com motores a gasóleo, a começar com a versão 40 TDI, com motor 2.0 de quatro cilindros e 204 cv. Com motor 3.0 V6 TDI surge a 45 TDI e a 50 TDI, a primeira a extrair 231 cv e a segunda 286 cv, da mesma unidade. Posteriormente, estarão disponíveis as duas versões a gasolina, respectivamente a 45 TFSI (com motor 2.0 Turbo de 252 cv) e 55 TFSI (com motor 3.0 V6 de 340 cv).

De realçar que todos os motores recorrem à tecnologia Mild Hybrid, em que um sistema de 48V (12V nos motores de quatro cilindros), alimentado por uma segunda bateria, assegura o correcto funcionamento (além de mais rápido e confortável) do sistema Start&Stop, e a função “à vela”, em que o motor desliga sempre que desaceleramos numa descida, por exemplo, ainda que garantindo sempre a assistência na direcção e nos travões.

Com este sistema, a Audi assegura uma redução de 0,2 a 0,3 litros no consumo médio nas versões equipadas com sistema de 12V e entre 0,5 e 0,7 litros nas versões com motor V6, uma redução inferior à que se poderia atingir com a adopção de um sistema híbrido plug-in, sem que este obrigasse a um custo superior.

Como é ao volante?

Grande e confortável, o A6 Avant parece um brinquedo quando se tem de conduzir através da cidade ou de uma estrada mais sinuosa. Tudo porque as quatro rodas direccionais lhe permitem curvar com menos esforço e maior eficácia. E isto com piso seco, pois quando a estrada está molhada, ou escorregadia, as vantagens serão ainda superiores.

A direcção transmite as necessárias sensações ao condutor, sem ser pesada, e controlar os sistemas de entretenimento ou ajudas à condução é fácil e imediato, o que se agradece especialmente quando a marca anuncia 39 soluções destinadas a tornar a vida do condutor mais fácil.

As unidades que conduzimos estavam ambas equipadas com suspensões reguláveis, o que nos permitiu ajustar o grau de conforto e de eficácia ao tipo de condução em cada momento. É claro que o condutor pode ser chamar a si esta decisão, mas a verdade é que se confiarmos no sistema automático tudo funciona igualmente na perfeição, sem qualquer trabalho ou atenção de quem vai ao volante.

Quando chega e por quanto?

A nova Audi A6 Avant começa a ser oferecida no mercado português durante o mês de Outubro, com a versão mais acessível, a 40 TDI (com 204 cv) a ser comercializada por 62.500€, que representará o grosso das vendas.

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Com a carrinha a ser proposta em três níveis de equipamento (Base, Sport e Design), além dos packs que permitem a cada condutor personalizá-la a seu gosto, a Avant passa a ser a referência no segmento, não só pelo espaço e nível de equipamento que disponibiliza, como pelos sistemas que proporciona, tanto os que visam o conforto como a segurança.

As quatro rodas direccionais, em que as traseiras viram em direcção contrária às da frente até 60 km/h, para depois apontarem no mesmo sentido a partir daí, são um bom argumento para quem gosta de conduzir um veículo ágil e dinâmico, mas necessita de um carro grande e com muito espaço interior.