Rádio Observador

José Sócrates

“O PS foi cúmplice de todos os abusos”, acusa Sócrates, que vai escrever livro sobre Operação Marquês

2.025

O ex-primeiro-ministro José Sócrates disse, numa entrevista ao jornal brasileiro Folha de São Paulo, que tenciona escrever um livro sobre a Operação Marquês.

JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

O ex-primeiro-ministro José Sócrates disse, numa entrevista ao jornal brasileiro Folha de São Paulo, que tenciona escrever um livro sobre a Operação Marquês. Questionado sobre se considerava que o Partido Socialista o traiu ao não o defender durante o processo, Sócrates respondeu que “a traição tem uma dimensão pessoal”, mas recusou mais comentários.

Não quero fazer este comentário. Um dia, fá-lo-ei. Mas, para já não vem a propósito. Vou escrever um livro sobre isto”, disse Sócrates.

O antigo governante, acusado de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal na Operação Marquês, fez ainda comparações entre a sua situação e a do antigo presidente brasileiro Lula da Silva. “A diferença é que o PT [Partido dos Trabalhadores] manteve-se sempre ao lado do Lula. A primeira coisa que o Partido Socialista fez foi procurar afastar-se. A verdade é que o PS, ao longo de dois anos, foi cúmplice de todos os abusos”, afirmou.

Sobre a polémica em torno da escolha do juiz para o julgamento do caso, Sócrates considerou que “existe aqui um julgamento inquisitorial”. “O que separa o sistema inquisitorial do sistema acusatório é justamente o facto de não ser, a pessoa que julga, a mesma que investigou”, disse o antigo primeiro-ministro.

Tendo o tribunal dois juízes, “a lei impõe que a operação de distribuição seja por sorteio, que é a operação mais democrática de todas”, mas “não foi isso que aconteceu”.

“A legitimidade básica do juiz é que ele está acima das partes. O Ministério Público resolveu escolher um árbitro. Eu nunca tive um juiz imparcial. Não há julgamentos justos sem um juiz imparcial”, disse Sócrates.

Na semana passada, num artigo de opinião publicado no site da TSF, José Sócrates já tinha afirmado que o processo Operação Marquês tinha sido “viciado, corrompido desde o seu início, por forma a ter o juiz titular que uma das partes desejava, um juiz com partido, um juiz escolhido”.

Na entrevista à Folha de São Paulo, Sócrates comparou a escolha do juiz com o caso de Lula da Silva, dizendo que “o Estado escolheu um juiz de Curitiba quando está claro que a questão do triplex nada teve a ver com a Petrobras”. “Portanto, não deveria ser ele”, considerou.

O ex-primeiro-ministro voltou a criticar a “motivação política” que considera estar por trás do processo. “A mesma coisa no Brasil, com a prisão do Lula. Isto me parece evidente. Mas aqui isso é um bocadinho mais hipócrita”, disse.

“Tudo isso convinha à direita: tirar-me do espaço público, garantir que eu não me candidatasse à Presidência da República em 2015. Eu não fazia tensões disso, mas a direita achava que o PS me iria escolher para ser o candidato. Eles procuraram tirar-me do jogo”, afirmou Sócrates, apontando o dedo à “direita política”, que, diz, achou que tinha “chegado o momento para construírem suas biografias políticas”.

Sócrates elogiou também Lula da Silva, sublinhando que o ex-presidente brasileiro “mostrou ao mundo que a esquerda latino-americana sabe governar”

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: jfgomes@observador.pt
José Sócrates

António Costa, o da memória má /premium

José Diogo Quintela
1.536

A questão não é os portugueses terem má memória da maioria absoluta do PS, antes é os portugueses não se lembrarem bem do que aconteceu nesse tempo. Se se lembrassem, não votariam nos mesmos marotos.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)