A tese oficial do Governo de Nicólas Maduro de que o opositor do regime Fernando Albán se suicidou na sede dos serviços secretos venezuelanos está a perder força. O Procurador-Geral da Venezuala, Tarek William Saab, insiste que se tratou de suícidio e que Albán se atirou de uma janela do 10º piso, pelo que a hipótese de que terá sido asfixiado ou afogado antes de ser atirado da janela “é uma mentira podre”. Mas, segundo o El Mundo, a sua antecessora no cargo, Luisa Ortega, diz ter “informações, de dentro [dos serviços secretos] que garantem que o afogaram, enquanto o torturavam.”

Luisa Ortega — procuradora geral no tempo de Chavéz, mas dissidente do regime de Maduro — põe em causa a autópsia oficial, que indica que a causa da morte foi a queda e que concluiu que não houve agressões prévias. Para a oposição a Maduro, os resultados da autópsia foram alterados por um dos médicos que a realizou, Arnoldo Perez, que é um fervoroso adepto da “revolução” de Maduro e crítico da “oposição fascista”. Segundo William Jimenez, ex-coordenador na morgue de Caracas, a autópsia “concluiu que havia água nos pulmões, mas o que foi transcrito foi uma deturpação”.

William Jimenez contesta também outros pontos da tese oficial do regime de Maduro, que divulgou que foram encontrados 2084 vídeos no telemóvel de Albán que “podem explicar a conduta de colocar em risco a própria vida”. Segundo o regime, Albán teria tido uma “vida oculta”, o que o teria levado a pôr fim à vida por recear o desprestígio causado caso fossem divulgados os vídeos encontrados, de cariz alegadamente pornográficos.