O antigo Presidente da Venezuela Nicolás Maduro e a mulher, Cilia Flores, foram formalmente acusados pelos EUA de tortura contra prisioneiros políticos, durante o mandato do ex-chefe de Estado à frente do país. As acusações incluem uso de choques elétricos, espancamentos e asfixia “a pedido” do antigo Chefe de Estado.
“[Maduro] autorizou o uso de tortura contra indivíduos específicos e supervisionou um sistema projetado para usar a tortura, a detenção arbitrária e a violência como meio de repressão contra a oposição política”, refere a acusação, citada pela Associated Press. A mulher, Cilia Flores, é suspeita de crimes semelhantes. Se forem condenados, podem enfrentar uma pena de até 50 anos de prisão, explica a Reuters.
Nicolás Maduro terá ordenado e supervisionado o tratamento de prisioneiros específicos, incluindo a visualização de um vídeo de uma confissão forçada de uma pessoa detida e terá ameaçado “pessoalmente com a morte do filho de um prisioneiro ‘como uma forma de tortura psicológica'”, acrescenta a acusação.
A defesa refere que não leu as novas acusações e que Flores foi presente a tribunal, esta quinta-feira, para avaliar a possibilidade de transferência da ex-primeira-dama para uma residência em Nova Iorque. A defesa alega que Flores necessita de tratamento médico devido a problemas cardíacos.
A acusação inclui várias menções ao alegado envolvimento da Direção-Geral de Contrainteligência Militar venezuelana (DGCIM), cujo antigo líder, Hugo Carvajal, se declarou culpado das acusações de tráfico de droga em Nova Iorque e que se ofereceu para depor contra Maduro.
Do mesmo modo, menciona três cidadãos norte-americanos que foram alegadamente vítimas de tortura. Um deles foi espancado, submetido a choques elétricos e “forçado a comer o seu próprio vómito durante oito meses de prisão”, refere a acusação. Outro teve de ser hospitalizado e um terceiro foi espancado durante dois dias e sofreu uma lesão permanente nos olhos.
Ao longo dos anos, vários cidadãos norte-americanos denunciaram casos de tortura nas prisões venezuelanas. Matthew Heath e Osman Khan, que foram libertados em outubro de 2022, processaram Maduro, em 2025, alegando que foram submetidos a eletrocussão, afogamento, ameaças de agressão sexual e confinamento em solitária. Heath chegou a tentar o suicídio enquanto esteve detido, refere a CNN.
Outros norte-americanos, como os CITGO 6, grupo de seis executivos de empresas de petróleo norte-americanas detidos em 2017, também denunciaram casos semelhantes.
Nicolás Maduro e Cilia Flores foram capturados pelas forças norte-americanas, na noite de 3 de janeiro de 2026, que colocaram fim a 13 anos de mandato do então Presidente marcados por acusações de violação dos direitos humanos e de repressão da oposição. Entre as acusações, surge o tráfico de droga para os Estados Unidos, algo que Maduro e Flores negam. O início do julgamento está previsto para 1 de junho de 2027.