Os estragos causados pela tempestade Leslie na rede elétrica nacional podem ser pagos pelos consumidores. Tudo porque a lei assim determina, tendo em conta que a exploração e manutenção da rede elétrica estão concessionadas à EDP, noticia o Expresso.

Fonte oficial da principal elétrica nacional, contudo, assegura num esclarecimento enviado ao semanário, que “não está previsto qualquer impacto nas tarifas resultado do furacão Leslie. Os custos decorrentes das reparações em curso são enquadrados nos de exploração normal da empresa, não sendo objeto de qualquer legislação específica”.

Significa isto que a EDP poderá ter de prescindir de investimentos na rede que estavam programados, em detrimento das reparações urgentes a que os danos provocados pelo furacão Leslie obrigam.

A principal elétrica nacional está ainda a contabilizar a dimensão dos prejuízos, sendo estimado que cerca de 70 mil habitações não tenham acesso a eletricidade na região Centro do país.

Em declarações ao Expresso, Fernanda Bonifácio, responsável da EDP Distribuição afirmou que a empresa irá normalizar a situação no decorrer dos próximos dias. Contudo, para tal, a EDP terá de reparar cerc de 1o0 linhas de média e alta tensão, tendo já posto no terreno cerca de 750 trabalhadores que foram mobilizados para as áreas danificadas.

Embora o regulamento de qualidade de serviço do setor elétrico português não preveja a compensação pelos cortes de abastecimento em caso de “eventos excecionais”, a EDP poderá argumentar a baixa probabilidade do fenómeno atmosférico para evitar acartar a totalidade das consequências da tempestade quando enviar um relatório à Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), informa o Expresso.

Caso a ERSE classifique a tempestade Leslie como um evento excecional, a EDP Distribuição não sentirá os efeitos desta interrupção nos indicadores de desempenho de 2018 e garantirá que  “não sejam pagas compensações por incumprimento de padrões ou obrigações individuais de qualidade de serviço”.

A EDP Distribuição estima que alterar a disposição das linhas de eletricidade média e alta tensão, [em vez de aéreas, sejam enterradas no solo], de forma a evitar uma situação semelhante à que se vive no região Cento, acartaria um custo de cerca de 14 mil milhões de euros.