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Rede Anti-Pobreza alerta: 1,1 milhões de portugueses trabalham, mas são pobres

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A Rede Europeia Anti-Pobreza aponta que, em Portugal, um emprego não basta e que é preciso uma aposta na educação e em melhores qualificações.

ERIK S. LESSER/EPA

Autor
  • Agência Lusa

A Rede Europeia Anti-Pobreza alertou esta quarta-feira para mais de 1,1 milhões de portugueses que têm trabalho, mas são pobres, apontando que um emprego não basta e que é preciso uma aposta na educação e em melhores qualificações.

Em entrevista à agência Lusa, por ocasião do Dia Internacional de Erradicação da Pobreza, que se assinala esta quarta-feira, o presidente da EAPN Portugal adiantou que um trabalho digno é o tema que a ONG escolheu para chamar a atenção para a data.

Em Portugal, temos 10,8% de trabalhadores que são pobres, achámos que era necessário chamar a atenção para esta realidade, de que não basta ter um emprego para sair da pobreza”, apontou o padre Jardim Moreira.

O responsável sublinhou que “não basta ter um qualquer dinheiro para ter uma vida adequada à dignidade humana, é preciso ter um rendimento adequado, que possibilite satisfazer as necessidades familiares”.

Por outro lado, salientou que há muita gente que tem dificuldade em aceder a empregos mais bem pagos porque lhes falta as qualificações necessárias.

Nesse sentido, defendeu que falar da necessidade de um trabalho digno implica também uma política de formação em educação, sobretudo pensada nos mais novos, “para que eles não fiquem fora do emprego qualificado”. “Senão, não conseguimos sair desta situação”, avisou.

O responsável pela EAPN Portugal apontou as melhorias verificadas nos últimos dois anos com impacto “no nível de vida de muitos pobres”, desde logo pelo aumento dos rendimentos disponíveis ou pelo aumento do valor das reformas.

“Mas a verdade é que ainda continuamos com 18,3% de pobres de rendimentos e chegam aos 23,3% os excluídos”, destacou, considerando que “apesar da melhoria, de modo global, os números não são ainda satisfatórios”.

Jardim Moreira defendeu que é preciso emprego com capacidade de respostas para as necessidades da pessoa ou da família e que, para isso, é preciso que as pessoas tenham mais e melhores qualificações.

“Não basta ter emprego, é preciso qualificar as pessoas para elas poderem ter acesso a empregos mais bem remunerados e terem mais rendimentos”, defendeu o padre Jardim Moreira.

De acordo com o presidente da EAPN Portugal, a pobreza em Portugal é estrutural e, por isso, requer “uma intervenção transversal de vários ministérios”.

Salientou que uma das maiores preocupações são as mães solteiras, um problema para o qual também é necessária uma aposta na educação, na formação e na integração familiar.

“É preciso insistir na formação dos mais jovens para a integração familiar porque fora da família nem se realizam, ficam marginais, não conseguem ter condições de trabalho porque lhes falta toda esta solidariedade familiar que é fundamental para o desenvolvimento das pessoas que a constituem”, explicou.

Sublinhou também que a solução pela educação também tem que ver com o facto de o abandono escolar ainda ser muito elevado e o aproveitamento escolar fraco, havendo “muita gente que passa pela escola e chega ao fim quase sem qualquer qualificação”.

Quanto ao facto de não haver uma estratégia nacional de combate à pobreza desde 2015, Jardim Moreira frisou que isso foi não só um retrocesso em relação ao trabalho que estava a ser feito, como o “ignorar e fechar os olhos à realidade nacional”. “Foi um erro de justiça para com as pessoas mais vulneráveis”, rematou.

Durante o dia de esta quarta-feira, a EAPN Portugal vai estar na Foz do Arelho, para o seu X Encontro Nacional, que conta com a presença do ministro do Trabalho, da Solidariedade e de Segurança Social, José Vieira da Silva, e onde vai decorrer o seminário “Trabalho Digno: um alicerce para a paz social”.

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