O presidente norte-americano Donald Trump diz ter “um instinto natural para a ciência” que o leva a duvidar dos estudos sobre as alterações climáticas: “O meu tio era um grande professor no MIT durante muitos anos. O doutor John Trump. Não falei com ele sobre este assunto em particular, mas tenho um instinto natural para a ciência, por isso, diria que há cientistas dos dois lados”, afirmou ele numa entrevista à The Associated Press.

Este mês, o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas das Nações Unidas publicou um novo relatório onde avisa que os maiores desastres climáticos podem ser evitados se o aquecimento global não ultrapassar 1,5ºC. A margem já não é muita: o aquecimento climático está neste momento 1°C acima dos níveis pré-industriais e pode atingir 1,5ºC já entre 2030 e 2052. Como referem os autores do relatório de 400 páginas: 0,5ºC “faz toda a diferença”. Quando os jornalistas lhe pediram para comentar este relatório, Donald Trump respondeu: “Há cientistas que acham que as alterações climáticas existem, outros que dizem que não. Uns dizem que sim, outros dizem uma coisa diferente. Há cientistas dos dois lados da barricada”.

Durante a entrevista à The Associated Press, que aconteceu na Casa Branca, Donald Trump adjetivou-se de “um verdadeiro ambientalista”: “Eu sei que algumas pessoas podem não pensar em mim nesse sentido, mas eu sou um ambientalista. Tudo o que quero e tudo o que tenho é limpo. As coisas limpas são muito importantes: a água e o ar. Mas também quero empregos para o nosso país”. Mas afirmou não duvidar que o clima está a mudar: “Só acho que essas mudanças vão e vêm, vão e vêm”.

Essa posição surge depois de Trump ter dito: “Quero o ar mais limpo do planeta e nosso ar agora é o mais limpo que já tivemos”, em declarações ao programa 60 Minutos. Mas isso não é verdade e foi a própria administração Trump a dizê-lo através da Agência de Proteção Ambiental: desde os anos 70 que a qualidade do ar nos Estados Unidos tem melhorado, mas a queda dos níveis de poluição desacentuaram desde que Donald Trump assumiu a presidência do país. Em 2017, a poluição até aumentou.