Assalto em Tancos

Ministério da Defesa investiga procedimento da PJ Militar no caso Tancos

Ministério da Defesa determinou a 4 de outubro a realização de uma "auditoria extraordinária aos procedimentos internos" da Polícia Judiciária Militar, na sequência do caso Tancos.

PAULO NOVAIS/EPA

O Ministério da Defesa determinou a 4 de outubro a realização de uma “auditoria extraordinária aos procedimentos internos” da Polícia Judiciária Militar (PJM), na sequência da recuperação do material militar roubado dos paióis de Tancos no ano passado.

Uma fonte oficial do Ministério da Defesa citada esta terça-feira pelo jornal Público adianta que a auditoria foi lançada ainda por Azeredo Lopes e visa apurar “as ações de prevenção e investigação criminal desenvolvidas e promovidas por aquele corpo superior de polícia criminal que sejam da sua competência ou que lhe sejam cometidas pelas autoridades judiciais competentes”. A mesma fonte avançou que o relatório da auditoria “deverá estar concluído até ao final do ano”.

O furto de material militar dos paióis de Tancos foi revelado a 29 de junho de 2017 e a recuperação da maior parte do material foi divulgada pela Polícia Judiciária Militar, em comunicado, no dia 18 de outubro de 2017, na Chamusca, a cerca de 20 quilómetros de Tancos.

A investigação do Ministério Público à recuperação do material furtado, designada Operação Húbris, levou à detenção para interrogatório de militares da Polícia Judiciária Militar e da GNR. A 25 de setembro, a Polícia Judiciária deteve o diretor e outros três responsáveis da PJM, um civil, e três elementos do Núcleo de Investigação Criminal da GNR de Loulé.

Segundo o Ministério Público, em causa estão “factos suscetíveis de integrarem crimes de associação criminosa, denegação de justiça, prevaricação, falsificação de documentos, tráfico de influência, favorecimento pessoal praticado por funcionário, abuso de poder, recetação, detenção de arma proibida e tráfico de armas”. Entre o material furtado estavam granadas, incluindo antitanque, explosivos de plástico e uma grande quantidade de munições.

O caso levou já à demissão do anterior ministro da Defesa Nacional, José Azeredo Lopes, em 12 de outubro, invocando a necessidade de evitar que as Forças Armadas fossem prejudicadas pelo “ataque político” e as acusações de que afirmou estar a ser alvo. Já esta semana, na quarta-feira, foi a vez do Chefe do Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte, pedir a resignação, apenas dois dias depois da tomada de posse do novo ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho.

A Assembleia da República deverá votar e aprovar na próxima semana uma comissão parlamentar de inquérito, proposta pelo CDS-PP, sobre o desaparecimento e reaparecimento de material militar em Tancos.

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