Saúde Pública

Espanha restringe venda de Nolotil a turistas após a morte de 10 britânicos

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A Agência Espanhola de Medicamentos recomendou que o metamizol não fosse vendido à "população flutuante". O medicamento, à venda em Portugal, foi associado à morte de 10 turistas britânicos.

Imagem meramente ilustrativa

Scott Barbour/Getty Images

É um dos analgésicos mais consumidos em Espanha, mas a sua venda acaba de ser “proibida” a turistas. A Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos Sanitários (AEMPS) atualizou a ficha técnica do metamizol — comercialmente conhecido como Nolotil, também à venda em Portugal –, depois de o medicamento ter sido associado à morte de 10 britânicos.

Em agosto, o The Sunday Times revelou que a AEMPS lançou uma investigação para determinar se pessoas oriundas do norte da Europa estão ou não mais expostas aos efeitos colaterais do Nolotil. Cristina Garcia del Campo, uma tradutora médica da província de Alicante, fez campanha para promover a realização de uma investigação depois de descobrir que várias pessoas de origem britânica tinham morrido com alterações no sangue depois de terem tomado este medicamento. O analgésico, acrescenta o The Times, não é licenciado em “vários países”, incluindo nos Estados Unidos da América, no Reino Unido e na Suécia.

A agência que regula os medicamentos em território espanhol não reconhece oficialmente os casos dos cidadãos britânicos, escreve o El Español, mas atualizou a ficha técnica do medicamento de forma a recordar o risco de um efeito adverso chamado agranulocitose, que se traduz numa alteração do sangue devido à falta ou acentuada redução de glóbulos brancos — a reação grave pode levar à morte do paciente, devido à redução de defesas e subsequente desenvolvimento de sépsis ou de múltiplas infeções. Segundo a nota divulgada pela AEMPS, a atualização tem por base a “notificação recente ao Sistema Espanhol de Farmacovigilância de casos de agranulocitose, particularmente em pacientes de origem britânica”.

De acordo com o comunicado emitido a 30 de outubro, a agência espanhola recorda que o fármaco em questão apenas deve ser usado para tratamentos de curta duração, vendido com receita médica e, antes de esta ser emitida, devem ser realizadas análises detalhadas ao sangue, de maneira a despistar fatores de risco de agranulocitose. Outra recomendação remete para a não utilização de metamizol em pacientes “nos quais não é possível a realização de controles”, como por exemplo a “população flutuante”. O El Espanõl esclarece: em efeitos práticos, isto traduz-se na proibição de venda de nolotil aos turistas.

A farmacêutica Boehringer Ingelheim, que produz o medicamento Nolotil, disse, citada pelo The Times, que o medicamento está disponível em Espanha e noutros países da Europa na forma de genéricos e que não há “evidência científica de que populações específicas sejam propensas a desenvolver efeitos colaterais”. O mesmo é esclarecido no comunicado já citado: “Não se pode nem descartar nem confirmar um maior risco em populações com características étnicas específicas”.

O metamizol, esclarece o mesmo comunicado, é um analgésico vendido há mais de 50 anos em Espanha com diferentes nomes comerciais. A sua venda duplicou nos últimos 10 anos, com o aumento mais significativo a ocorrer nos últimos 5 anos.

O Observador contactou o Infarmed para perceber se está prevista alguma alteração na comercialização desta substância em Portugal e atualizará este artigo assim que receber uma resposta.

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