A administração da Nissan votou a favor do afastamento de Carlos Ghosn do cargo de chairman da empresa, que foi detido esta segunda-feira no Japão por suspeitas de fraude fiscal e desvio de fundos, no âmbito de uma investigação interna da Nissan. A informação foi inicialmente divulgada pelo The Guardian e confirmada, posteriormente, por um comunicado da empresa automóvel.

“Depois de analisar um relatório detalhado da investigação interna, a administração votou por unanimidade: 1. Afastar Carlos Ghosn como chairman. 2. Afastar Carlos Ghosn como administrador. 3. Afastar Greg Kelly como administrador”, disse a Nissan em comunicado, acrescentando que será estudada a hipótese da criação de um “comité especial para assessorar adequadamente uma terceira parte independente em relação ao sistema de gestão e a um melhor controlo da remuneração dos diretores”. Este comité, informa a empresa, vai ser conduzido por Masakazu Toyoda, Keiko Ihara e Jean-Baptiste Duzan – conduzirão este assunto, três diretores independentes.

Carlos Ghosn, recorde-se, foi também afastado esta terça-feira das funções de chairman e da direção executiva da fabricante automóvel francesa Renault, depois de uma reunião do conselho de administração. A empresa, contudo, optou por não demitir o executivo de 64 anos.

Ghosn foi detido esta segunda-feira, no Japão, na sequência de uma investigação interna da Nissan. É suspeito de não ter declarado milhões de euros às autoridades fiscais japonesas e de ter usado fundos da empresa para fins pessoais. Antes de ser detido, o empresário estaria a planear uma fusão entre a Renault e a Nissan, de acordo com o Financial Times. A empresa japonesa, contudo, opunha-se firmemente à ideia.

Os procuradores locais chegaram a fazer buscas nos escritórios de Ghosn na sede da empresa em Tóquio e em mais locais. Em causa estava o uso indevido de dinheiro e de recursos da companhia para fins pessoais e falhas na declaração de rendimentos de Carlos Ghosn ao fisco japonês. De acordo com estimativas avançadas, o valor de rendimentos não declarados soma cerca de 44 milhões de dólares (cerca de 38,5 milhões de euros) desde 2011.