O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu esta sexta-feira as suas previsões e espera agora que a economia portuguesa cresça 2,2% este ano, menos uma décima que há um mês e que a previsão do Governo. A maior divergência surge em relação a 2019, quando o Fundo espera que a economia cresça 1,8%, menos quatro décimas a previsão do Governo, e que o défice atinja os 0,4%, o dobro do estimado por Mário Centeno.

Uma equipa do Fundo esteve em Portugal para mais uma revisão pós-programa de assistência, algo que irá acabar depois de Portugal pagar a totalidade do empréstimo ao Fundo, como anunciou António Costa esta quinta-feira no Parlamento. Após a missão, num comunicado enviado às redações, o FMI demonstrou-se ligeiramente mais pessimista nas suas previsões.

Em relação a este ano, o Fundo baixou em uma décima o crescimento económico esperado para a totalidade do ano, isto devido a uma desaceleração já observada no terceiro trimestre deste ano, devido a fatores temporários. O Fundo espera que a economia acelere na parte final do ano e por isso termine perto da estimativa do Governo, que nesta altura é ainda de 2,3%.

Também por isso, a instituição liderada por Christine Lagarde antecipa que a meta do défice de 0,7% estabelecida por Mário Centeno será atingivel.

Já para 2019, o Fundo é mais pessimista que o Governo. No próximo ano, o FMI prevê que a economia cresça apenas 1,8% — o mesmo que já esperava em outubro, mas significativamente abaixo dos 2,2% antecipados pelo Governo. Esta projeção mais pessimista afeta também a previsão feita para o défice no Orçamento do Estado para 2019 aprovada esta quinta-feira no Parlamento.

Segundo o FMI, o défice deverá atingir os 0,4% em 2019, uma redução face ao esperado este ano, mas acima da previsão feita anteriormente (0,3%) e da meta do Governo (0,2%).

O Brexit será um dos principais riscos que podem complicar as contas do Governo no próximo ano. Segundo o FMI, “Portugal sentiria diretamente o impacto negativo de menos crescimento na zona euro e a contração do comércio internacional que se segue ao aumento do protecionismo”.

O Fundo deixa ainda um alerta às autoridades portuguesas, a um ano das eleições: “há o risco de o Governo poder adotar medidas mais fracas que podem por em causa a confiança dos investidores e o ambiente de negócios, e possivelmente aumentar a rigidez do orçamento e reduzir a qualidade da despesa pública”.

Pagamento antecipado é vantajoso para Portugal

Depois de o primeiro-ministro ter anunciado no Parlamento que o Portugal vai pagar até ao final do ano o remanescente do empréstimo do FMI a Portugal no âmbito do resgate pedido em 2011, o FMI diz que a decisão é um sinal positivo que Portugal dá aos investidores e aos mercados.

Para além da questão de imagem, o fundo diz que o pagamento antecipado é vantajoso financeiramente para os cofres do país porque melhora a estrutura das maturidades da dívida portuguesa, e geram poupanças diretas, uma vez que as taxas de juro que o FMI cobra pelo seu empréstimo são superiores às praticadas no mercado.

O FMI sublinha que o Estado português tem nos seus cofres uma almofada financeira confortável e que assim que o pagamento for efetivado, Portugal vai deixar de estar sujeito ao regime de supervisão pós-programa. Assim, o FMI vai passar a fazer uma avaliação da economia portuguesa apenas uma vez por ano, a que já faz ao abrigo do Artigo IV do Fundo — que realiza a todos os países que são membros do Fundo –, tendo ainda mais uma visita de uma missão técnica que será feita de forma intercalar.