Que Cristiano Ronaldo não olha muito para o passado e encara o futuro de braços abertos, já se sabia. O jogador da Juventus mostrou que não tem receio de mudanças em 2009, quando aceitou o convite do Real Madrid, e reforçou essa faceta este verão, quando trocou a posição confortável que tinha no Santiago Bernabéu pelo desafio de um novo começo na Juventus. Depois de um início difícil, onde os golos teimavam em não aparecer e os jornais rapidamente se apressaram a vaticinar o falhanço do novo capítulo da era Ronaldo, o jogador português afirmou-se como uma das referências ofensivas dos italianos e está, a par de Mandzukic, Dybala, Pjanic e companhia, na liderança isolada da Serie A e apurado para os oitavos de final da Liga dos Campeões.

Cristiano Ronaldo jogou em Portugal, Inglaterra, Espanha e agora Itália. Já Lionel Messi atuou toda a carreira no Barcelona e no campeonato espanhol. Em entrevista à Gazzetta dello Sport, o jogador português garante que gostava de que o eterno rival fizesse como ele e “aceitasse o desafio”, por isso revela que espera ainda que Messi rume a Itália e à Serie A, mas ressalva que não tem “saudades de nada” em Espanha. “Eu joguei em Inglaterra, Espanha, Itália, Portugal, na Seleção Nacional e ele continua em Espanha. Se calhar ele precisa mais de mim… para mim, a vida é como um desafio. Gostava de que ele viesse para Itália um dia destes. Que fizesse como eu, aceitasse o desafio. Contudo, se ele é feliz lá, respeito. Ele é um jogador fantástico, um bom rapaz mas eu não tenho saudades de nada de lá. Esta é a minha nova vida e estou feliz”, explicou ao jornal italiano.

A bom relação com os companheiros de equipa é notória dentro e fora de campo – tanto nas celebrações dos golos como nas dezenas de publicações nas redes sociais – e Ronaldo confirma isso mesmo, enquanto atira uma leve farpa ao Real Madrid, quando diz que este é o melhor balneário a que já pertenceu. “Posso dizer que este é o melhor grupo com que já trabalhei. Aqui somos uma equipa, nos outros sítios há sempre alguém que se sente maior do que os outros mas aqui estamos todos na mesma linha, somos todos humildes e queremos ganhar. Se o Dybala e o Mandzukic não marcam, continuam felizes, a sorrir. Para mim isso é lindo, nota-se a diferença. No Real também era humildes mas aqui… sinto que são muito mais. É muito diferente de Madrid, aqui somos mais uma família”.

O jogador português tem formado uma dupla de peso com o croata Mandzukic

E talvez seja por essa família coesa que Cristiano Ronaldo defende que a Juventus “não precisa de mais jogadores”. Só deixa as portas abertas a um: Marcelo. “Eu vejo-vos escrever sobre o James, o Bale, o Ascensio mas honestamente, a Juventus não precisa de mais jogadores. Falem com o presidente. Sobre o futuro, não sei. O Marcelo é forte, abrimos as portas a bons jogadores e o Marcelo é um deles”. O capitão da Seleção Nacional falou ainda sobre as apostas que faz depois dos treinos, com Mandzukic, Dybala e Khedira, que ganha em “99% das vezes”. “Apostamos alguns euros ou uma garrafa de vinho. No balneário tenho lá três garrafas de vinho guardadas e 200 ou 300 euros”, contou.

A Juventus está apurada para os oitavos de final da Liga dos Campeões mas ainda não tem garantido o primeiro lugar do Grupo H, cujas contas só ficam fechadas esta semana e onde o Manchester United de José Mourinho pode ainda carimbar a vitória no grupo. Já o Real Madrid, ao vencer em Roma por 0-2 na última jornada da Champions, agarrou o primeiro lugar do Grupo G. A possibilidade de encontro entre italianos e espanhóis já na próxima fase é possível mas Cristiano Ronaldo garante que “é igual”. “O passado já passou, agora quero ganhar com a Juventus, tenho de defender estas cores e o resto não conta. Se jogar contra o Real, vou tentar dar o meu melhor”, afirmou o avançado português, que na edição passada da Liga dos Campeões, que o Real Madrid venceu, marcou um fantástico golo de pontapé de bicicleta àquela que é agora a sua atual equipa.

Sobre a Bola de Ouro, que perdeu para Luka Modric depois de dez anos de uma hegemonia que dividiu com Messi, Ronaldo garante que “não é o fim do mundo” mas garante que merecia vencer novamente o troféu. “Acho que mereço todos os anos, trabalho para isso. Mas se não ganhar, não é o fim do mundo. Respeito a decisão. Dentro de campo, fiz tudo para ganhar, os números não mentem, mas não pensem que fico menos feliz quando não ganho. Tenho ótimos amigos e família e jogo num dos melhores clubes, acham que vou para casa chorar? Claro que fico desapontado mas a vida continua e vou trabalhar ainda mais. Parabéns ao Modric, ele merece, mas vemo-nos no próximo ano e vou fazer tudo para lá estar outra vez”, disse o jogador português, que levou para casa a Bola de Ouro em cinco ocasiões.