A Ordem dos Enfermeiros garantiu esta terça-feira que não houve nenhuma situação durante a greve em blocos operatórios que tenha posto em risco a vida de doentes.

“Não há nenhuma situação que tenha colocado em risco a vida de ninguém”, afirmou a bastonária da ordem, Ana Rita Cavaco, aos jornalistas no final de uma reunião que teve em Lisboa com os sindicatos que convocaram a greve e com os enfermeiros diretores dos cinco hospitais onde decorre a “greve cirúrgica”.

A bastonária explicou que esta reunião serviu essencialmente para perceber como está a situação nos hospitais e para esclarecer como estão a decorrer os serviços mínimos.

Segundo a Ordem, os enfermeiros estão a trabalhar além dos serviços mínimos que o tribunal arbitral decretou para esta greve. “Espero que não haja outra classe profissional a tentar amedrontar as pessoas e a tentar cavalgar uma greve que não é deles, é dos enfermeiros”, afirmou Ana Rita Cavaco.

Embora a bastonária não se tenha referido diretamente aos médicos quando falou de outra classe profissional, a Ordem dos Médicos disse já na semana passada que havia doentes graves e prioritários que estavam a ser prejudicados pela greve dos enfermeiros.

A “greve cirúrgica” dos enfermeiros, que se iniciou a 22 de novembro e termina a 31 de dezembro, está a decorrer nos blocos operatórios do Centro Hospitalar Universitário de S. João (Porto), no Centro Hospitalar Universitário do Porto, no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, no Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte e no Centro Hospitalar de Setúbal.

Os enfermeiros têm apresentado queixas constantes sobre a falta de valorização da sua profissão e sobre as dificuldades das condições de trabalho no Serviço Nacional de Saúde, pretendendo uma carreira, progressões que não têm há 13 anos, bem como a consagração da categoria de enfermeiro especialista.

A paralisação foi convocada pela Associação Sindical Portuguesa de Enfermeiros (ASPE) e pelo Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor), embora inicialmente o protesto tenha partido de um movimento de enfermeiros que lançou um fundo aberto ao público que recolheu mais de 360 mil euros para compensar os colegas que aderissem à paralisação.

A ministra da Saúde, Marta Temido, disse que as cirurgias adiadas devido à greve dos enfermeiros, que calculou em 4 mil, vão ser reagendadas a partir de 1 de janeiro de 2019, tendo esta terça-feira admitido recorrer aos hospitais privados caso o Serviço Nacional de Saúde não consiga responder a todas as situações.