Genética

E se pudesse comer sem engordar? Há um gene que permite que isso aconteça

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Investigadores descobriram um gene que permite comer sem engordar. A descoberta pode ser um ponto de partida para doenças como a obesidade, que afeta cerca de 13% da população mundial adulta.

A obesidade afeta cerca de 13% da população mundial adulta e pode chegar até 20% em 2025

Getty Images

Estamos a chegar a uma altura em que já pouco surpreende ao nível da evolução científica: parece que tudo poderá ser possível um dia. Mesmo assim, podemos ficar um tanto incrédulos com certas inovações que vão sendo reveladas. Como a da descoberta de um gene cuja modificação nos vai permitir comer sem engordar.

Uma equipa internacional que se dedica à biotecnologia, juntamente com nutricionistas, descobriu uma nova modificação num gene através de um estudo feito com ratos de laboratório. De acordo com os investigadores, esta alteração permitia que os animais ingerissem alimentos sem engordar um único grama, independentemente do tipo e da quantidade de alimentos que estivesse em causa.

O estudo foi publicado pela Organização Europeia de Biologia Molecular (EMBO, sigla em inglês), e o trabalho é sobre o gene chamado Regulador de Calcineurina 1 — RCAN 1. Em causa está um inibidor desta proteína que têm influência direta no metabolismo. Ao desativarem o gene nos ratos, durante a experiência, os cientistas concluíram que a capacidade de os animais queimarem calorias tinha aumentado exponencialmente.

Num comunicado da Science Daily, os próprios investigadores reconhecem que a descoberta “soa demasiado bem para ser verdade”. Não obstante, a equipa considera que o gene pode trazer boas notícias para doentes com obesidade, bem como trazer benefícios relacionadas com o metabolismo do corpo humano, com a descoberta de novos tratamentos.

Se falarmos em termos do tecido adiposo, que representa 20 a 25% do peso corporal humano, ele divide-se em dois tipos: um deles é responsável por guardar energia e o outro tem uma função termoreguladora, que nos mantém quentes em condições meteorológicas adversas, e está encarregado de queimar calorias. Aquilo que os investigadores querem fazer é transformar o primeiro tipo no segundo; e anular a ação do RCAN 1 pode permiti-lo.

Damien Keating, professor da Universidade de Flint e o responsável pelo estudo, explica: “Os fármacos que desenvolvemos queimam mais calorias quando dormimos, o que significa que o corpo guardaria menos gordura sem precisar de reduzir o consumo de alimentos ou de se manter mais ativo”. Citado pelo El Español, Keating afirmou que “este pode ser um primeiro passo para todas aquelas pessoas que tenham dificuldade em perder peso“.

De acordo com um estudo avançado pela revista médica The Lancet, uma em cada sete mulheres e mais de um em cada dez homens são obesos. A obesidade afeta cerca de 13% da população mundial adulta e pode chegar até 20% em 2025, se o ritmo atual da doença se mantiver. Em Portugal há 1,5 milhões de obesos.

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