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Fake news podem levar “a formas de censura privadas ou públicas”, diz Poiares Maduro

Em entrevista, Poiares Maduro diz que a democracia só funciona se "for assente em factos" e que é "muito negativa" a tendência do Facebook e da Google em decidir por nós o que é falso ou verdadeiro.

© Miguel Manso

Para Miguel Poiares Maduro é pouco claro qual a resposta dos partidos e dos governos face às fake news, as quais podem “agravar a polarização política” e contribuem para a mobilização dos extremos, tornando “a política ainda mais radical”. Em entrevista ao jornal Público, o diretor da Escola de Governança Transnacional do Instituto Universitário Europeu de Florença diz que é preciso estarmos preparados para “formas de falsificação de informação que podem ser perigosas” e que vê com preocupação a “muita pressão sobre o Facebook e a Google para censurarem e eliminarem suspostas fake news”. O também ex-ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional diz ainda ser “muito negativa” a tendência de ambas as empresas de tecnologia começaram a decidir pelas pessoas o que é informação falsa ou verdadeira.

Só podemos ter uma democracia que funciona se for assente na verdade, nos factos. Mas a democracia também é necessariamente uma discussão sobre o que é a verdade. Isso é o pluralismo político. (…) Em democracia há uma grande resistência a qualquer forma de censura. A minha preocupação é que o receio com as fake news possa levar a formas de censura privadas ou públicas que nunca seriam aceitáveis.

Poiares Maduro diz que tanto a Google como o Facebook deveriam ser obrigados “a tornar transparente” a informação em circulação, sem determinarem se a mesma é verdadeira ou falsa. “É tornarem transparente para as pessoas se é ou não de carácter político, qual é a sua origem, se foi ou não paga — isso permitirá às pessoas entender dar maior ou menor fidelidade ao que estão a ler.”

Falando agora sobre a “renovação” dos partidos políticos, diz estar preocupado com o espaço que tem vindo a ser ocupado pelo partidos políticos populistas, onde o “populismo é uma conceção de representação de uma vontade política popular contra uma elite entendida como governando e ocupando o poder contra a vontade popular”.

Os partidos populistas têm tido sucesso porque apresentam uma resposta simples, que é falsa na minha opinião, a esses problemas, que é: nós resolvemos as consequências negativas desta sociedade interdependente. (…) É um populismo soberanista, associado a uma lógica nacionalista de defesa das fronteiras nacionais, protegendo-as do exterior, seja através do protecionismo, fechando a interdependência económica, seja através dos controlos e de restrições à imigração, fechando a mobilidade das pessoas.”

Questionado sobre como agir em sentido contrário, Poiares Maduro afirma que o receio em “explicitar um projeto político” está relacionado com o facto de os partidos mais moderados, do centro e da direita, “terem eleitorados divididos relativamente a este tema da interdependência, inclusividade versus encerramento, exclusão e soberanismo”. “Têm medo que qualquer posição que assumam lhes façam perder uma parte do eleitorado.” Poiares Maduro, ministro no Governo de Pedro Passos Coelho, fala ainda de muitos partidos moderados “parecer que querem lidar com esse problema aceitando ou introduzindo parte da mensagem política dos partidos populistas”.

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