O líder do Partido Trabalhista britânico, Jeremy Corbyn, disse hoje que avançava para o ‘Brexit’, renegociando com a União Europeia, se vencesse eventuais eleições antecipadas em 2019, afastando implicitamente pressões dentro do partido para apoiar um segundo referendo.

Numa entrevista ao diário britânico The Guardian, o líder do principal partido da oposição no Reino Unido disse que, se fosse eleito primeiro-ministro, tentaria voltar a Bruxelas para negociar um acordo de saída melhor, se possível antes de 29 de março, a data prevista para o ‘Brexit’.

“Teria de regressar e negociar e ver qual seria o calendário”, respondeu o líder trabalhista a uma pergunta sobre o que faria, se vencesse eleições antecipadas, para quebrar o impasse no parlamento em relação ao acordo de saída da UE. “Penso que devemos chumbar este acordo, depois devemos voltar à UE e discutir uma união aduaneira.”

Questionado sobre qual seria a posição do Labour se fosse realizado um segundo referendo, Corbyn disse que “o partido teria de decidir qual seria a política”, mas realçou que é preciso ter em conta a vontade da maioria. “Temos de reconhecer várias coisas: a primeira é que, como partido, cerca de 60% dos eleitores do Labour votaram para ficar [na UE]; cerca de 40% votaram para sair. Temos de perceber porque é que as pessoas votaram assim”, afirmou. A situação do partido é, na sua opinião, “única”, porque “junta todas as posições — daí a minha proposta de termos uma união aduaneira, para continuarmos a ter acesso ao mercado europeu”.

As eleições legislativas britânicas estão previstas para 2022, podendo apenas ser antecipadas se forem aprovadas por dois terços dos 650 deputados ou na sequência de uma moção de censura ao Governo. Em vez disso, Corbyn apresentou esta semana uma moção de censura à primeira-ministra, Theresa May, que não tem caráter vinculativo e que o Governo recusou debater na Câmara dos Comuns.

“A razão por que apresentei a moção da forma que fiz foi por pensar que era a melhor maneira e a melhor oportunidade” para “maximizar o apoio” à votação do acordo de ‘Brexit’, afirmou.  Os trabalhistas preveem, no entanto, apresentar uma moção de censura ao Governo se o acordo de May for chumbado no processo parlamentar de votação que se inicia em 14 de janeiro.