Tunísia

Protestos na Tunísia depois de jornalista se ter imolado pelo fogo para começar uma revolução

A imolação pelo fogo de um jornalista em protesto pelas difíceis condições de vida em Kasserine, centro-oeste da Tunísia, deu esta terça-feira origem a manifestações e confrontos com a polícia.

Ana Freitas/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

A imolação pelo fogo de um jornalista em protesto pelas difíceis condições de vida em Kasserine, centro-oeste da Tunísia, deu neste dia de Natal origem a manifestações que degeneraram em confrontos com a polícia.

Segundo o porta-voz do Ministério do Interior, Sofiane Zaag, pelo menos seis polícias ficaram feridos nos confrontos e nove pessoas foram detidas.

Antes de se imolar, o jornalista Abdel Razzaq Zorqui, 32 anos, operador de câmara num canal privado, divulgou um vídeo na internet em que descrevia o seu desespero com o incumprimento das promessas nascidas da “primavera árabe” de 2011 e apelava a uma revolta.

Zorqui, que morreu na segunda-feira no hospital para onde foi levado depois de se imolar numa praça da cidade, criticava o desemprego e a degradação da situação económica em Kasserine, cidade capital da província com o mesmo nome, a cerca de 270 quilómetros de Tunes, e uma das regiões mais pobres do país.

“Pelos filhos de Kasserine que não têm meios de subsistência, hoje vou começar uma revolução, vou imolar-me pelo fogo”, afirmou no vídeo.

A morte de Zorqui deu origem, na noite de segunda-feira e na madrugada de hoje, a protestos em Kasserine, que degeneraram em violência, com a polícia a disparar granadas de gás lacrimogéneo para dispersar manifestantes que bloquearam ruas e lançaram pedras à polícia.

Kasserine foi uma das primeiras cidades que no final de 2010 organizaram as manifestações que acabaram por alastrar a todo o país e dar origem à Revolução de Jasmim de janeiro de 2011.

Na origem dos protestos de então esteve a imolação pelo fogo de um jovem vendedor ambulante da cidade de Sidi Bouzid, capital da província vizinha de Kasserine, em protesto pela pobreza, a corrupção e a repressão.

A transição política para a democracia na Tunísia é apontada como o único caso bem-sucedido das chamadas “primaveras árabes”, mas o país continua sem conseguir superar a crise económica, marcada por uma taxa de desemprego que atinge 35% entre os jovens.

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