Assumiu-se desde o dia zero como crítico interno de Rui Rio e garantiu que não iria pedir autorização a ninguém quando quisesse avançar para a liderança do partido — fê-lo no próprio dia em que Rio foi entronizado líder em congresso e, de lá para cá, manteve-se mais ou menos em silêncio. Agora, Luís Montenegro afirma que o silêncio tem os dias contados, e levanta a ponta do véu: “Este estado de coisas tem de acabar e isto tem de mudar, porque o PSD assim não vai conseguir afirmar-se”, disse na TSF, condenando todos os que, dentro do partido, “não se importam que o PSD seja hoje um partido pequenino”. Se isto é ou não um pré-anúncio de desafio a Rio para disputar a liderança, é o que falta saber.

“Muito em breve falarei sobre e estado do PSD, falarei mesmo sobre o futuro do PSD porque entendo que este estado de coisas tem de acabar e isto tem de mudar: o PSD assim não se vai conseguir afirmar”, disse o ex-líder parlamentar do PSD no programa de comentário semanal Almoços Grátis, que mantém na TSF com o líder parlamentar do PS, Carlos César. O pretexto para pôr fim ao silêncio e dar início ao ataque foi as declarações de Manuela Ferreira Leite esta terça-feira à noite também na TSF, onde disse que preferia que o PSD tivesse “pior resultado nas eleições” do que passasse a ser rotulado como um partido de “direita”.

A ex-líder social-democrata dizia isso a propósito da convenção organizada pelo Movimento Europa e Liberdade, que vai ter lugar na próxima quinta e sexta-feira, e onde vão discursar muitos dos atuais críticos de Rio, como Luís Montenegro, Marques Mendes, Pedro Duarte, Pinto Luz ou Miguel Morgado. No programa Pares da República, na TSF, Ferreira Leite desvalorizou o movimento e acusou esse tipo de movimentos de se orientarem apenas por interesses relacionados com a elaboração das listas de deputados em pleno ano eleitoral. “Acho que todo este tipo de movimentos que se baseiam em questões de natureza pessoal e muito marcados pela futura próxima constituição de listas para deputados merecem-me algum desprezo”, disse.

Em causa está uma convenção organizada pelo Movimento Europa e Liberdade que reúne vários quadrantes da direita e centro-direita portuguesa, e que contará com intervenções de Assunção Cristas, Paulo Portas, Santana Lopes e vários rostos do PSD que não se reveem no PSD de Rio.

A propósito dessas declarações, Luís Montenegro não se conteve. Disse que era “gravíssimo” e “completamente descabido” uma ex-líder dizer que preferia que o partido tivesse um mau resultado. “Dizer como ela disse que prefere um mau resultado a um rótulo que não existe de uma coisa que ainda nem se realizou e que devia ter pessoas de vários quadrantes políticos é gravíssimo”, afirmou. E continuou: “Até porque por detrás desta afirmação está uma ideia de PSD de que estou em profundo desacordo. Há pessoas no PSD que não se importam que o partido seja cada vez mais pequeno, pequenino”.

Para o ex-líder parlamentar de Passos Coelho, tais declarações além de graves descaracterizam a base do PSD. “É muito perigoso que se possa matar no nosso espaço político ideia do PSD como um grande partido, com vocação maioritária, com vocação de Governo (…) é mesmo descaracterizar o PSD”, disse. “O PSD assim não se vai conseguir afirmar”, lamentou ainda.

Montenegro não se quis alongar em mais considerações, mas prometeu novas declarações para “breve”.