Depois de cinco dias de operações para tentar resgatar Julen, a criança espanhola que caiu no passado domingo num poço em Málaga, as autoridades estão a pôr em prática uma das três possíveis soluções atiradas no início da semana, poucas horas depois de ter sido dado o alerta de que o bebé de 2 anos tinha caído. Neste momento os esforços de salvamento estão focados na realização de dois túneis paralelos àquele onde caiu Julen, travando-se uma verdadeira luta contra o tempo. A ameaça de chuva no fim-de-semana está a assustar os responsáveis: uma grande queda de água podia atrasar consideravelmente toda a missão. Veja a seguir as cinco perguntas e respostas que ajudam a perceber o ponto da situação.

Porque é que ainda não se conseguiu alcançar Julen?

Tanto o poço onde caiu o bebé como todo o solo e geografia que o circundam estão a ser verdadeiros desafios à capacidade e velocidade das autoridades. Tanto o El País como o El Mundo destacam o cariz muito estreito (25 cm de largura) e profundo (cerca de 110 metros, estima-se) do buraco onde caiu Julen, por outro, ele encontra-se numa zona bastante inclinada, de difícil acesso, e tem sido quase impossível utilizar com segurança grandes máquinas que pudessem facilitar a missão de salvamento. A Guardia Civil, que tem liderado as operações, tem estudado ao pormenor cada passo ou possível solução para evitar que acabe por produzir um efeito contrário. Apesar de este ser o caminho mais ponderado, a verdade é que é o mais moroso.

Quais são as opções em cima da mesa neste momento?

Depois de as autoridades estudarem o poço, comprovaram que existe uma espécie de “tampão” criado por terra e detritos a 71 metros de profundidade. Estima-se que Julen esteja debaixo disso, apesar de não se saber ao certo o tamanho dessa espécie de “tampa”. O plano que está em marcha neste momento envolve duas perfurações verticais — realizadas a quatro metros do buraco original, uma para cada lado do mesmo — que estão a ser feitas em simultâneo. O objetivo disto é fazer uma espécie de galerias que desaguem debaixo do local onde se encontra a criança, com isso criando “o maior número de acessos possível”. Antes desta decisão ter sido posta em movimento as autoridades foram explorando uma outra, que envolvia a sucção dos detritos que formam o tal “tampão” de terra. Foi assim que se descobriu o cabelo de Julen. Só que a máquina que realizava este trabalho avariou e ficou inutilizável.

Quanto tempo será preciso para concluir estes túneis verticais?

As informações que existem até ao momento levam a crer que será mais de um dia, seguramente. “No máximo, três”, lê-se no El Mundo. Neste momento, as equipas estão a escavar à volta do buraco em que caiu Julen e só estimam parar quando chegarem aos 30 metros de profundidade. Alcançada essa meta começa a perfuração dos túneis verticais que deverão medir 50 metros de largura e 120 centímetros de diâmetro. As hipóteses mais otimistas estimam que os tais túneis comecem a ser escavados já esta sexta-feira. Em condições normais, um trabalho deste género poderia demorar meses.

Há alguma hipótese de o buraco onde está Julen ceder, com tantas obras a serem realizadas à sua volta?

A resposta é “não” e ela é fundamentada pelo facto de esse túnel já ter sido revestido por um tubo metálico, que protegerá de eventuais vibrações que possam danificar a sua estrutura.

Quando o momento chegar, quem serão as primeiras pessoas a chegar a Julen?

A equipa de Salvamento das Minas de Hunosa, grupo que foi enviado do Principado das Astúrias rumo a Málaga por ordem expressa  do ministro da Defesa espanhol. São eles que, manualmente, irão escavar os cerca de quatro metros de galeria que nascerão a partir dos tais túneis verticais paralelos ao buraco original. Estes últimos passos antes de alcançar o bebé têm obrigatoriamente de ser feitos à mão, para evitar que Julen possa ser afetado negativamente pelos efeitos — diretos ou indiretos — de máquinas.