No restaurante Soão, o whisky casa todos os dias com o chá

A taberna asiática instalada em Alvalade tem em carta três propostas para harmonizar whisky com chá, um casamento peculiar que serve de desafio às papilas gustativas.

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O casamento inusitado entre duas bebidas tão diferentes é uma experiência difícil de igualar e, também por isso, desafiante. Acontece tudo no Soão, em Alvalade.

© Paulo Barata

O casamento inusitado entre duas bebidas tão diferentes é uma experiência difícil de igualar e, também por isso, desafiante. Acontece tudo no Soão, em Alvalade.

© Paulo Barata

A Ásia aterrou em Alvalade em abril do ano passado e, no voo de ida, trouxe tudo a que tinha direito: do ambiente de uma taberna asiática ao menu pensado para refletir sabores da China, do Japão, da Tailândia, da Índia, do Vietname e da Coreia do Sul. A viagem não se faz apenas com o que chega ao prato, mas também através das bebidas: se já é incomum ter reflexos da gastronomia pan-asiática num bairro fora do centro turístico de Lisboa, mais curioso é a proposta de harmonizar whisky com chá.

Não é gaffe, nem tão pouco é loucura. O casamento inusitado entre duas bebidas tão diferentes é uma experiência difícil de igualar e, também por isso, desafiante. Se o whisky desliza pelo copo a abaixo sem a companhia do gelo, o chá é servido a aproximadamente 60º graus — a temperatura é escolhida de forma a não aniquilar o paladar — e chega à mesa em louças gaiwan (neste caso, em taças da Dinastia Ming chinesa), que permitem conservar o calor durante mais tempo. O momento de harmonização finaliza a refeição e no Soão há três pairings diferentes, todos eles criados por Vasco Martins, responsável pela cocktelaria, em conjunto com o tea commelier Sebastian Figueiras, fundador da Companhia Portugueza do Chá.

Vasco Martins é head bartender do restaurante Soão. © Paulo Barata

As três harmonizações disponíveis juntam dois whiskys japoneses e um taiwanês a chás escolhidos com o contributo de Sebastian — a ideia é que tanto o chá como o whisky façam favores um ao outro e tragam à superfície do paladar notas que até então passavam despercebidas. “Em carta há dois pairings diretos e um indireto. No direto o chá salienta as notas mais escondidas no whisky; no indireto o chá dá algo ao whisky, algo que ele ainda não tinha”, explica Vasco Martins ao Observador.

No dia em que visitámos o espaço, foram-nos apresentadas quatro harmonizações (há uma quarta proposta não incluída na carta, mas disponível a pedido), incluindo aquela que juntou o Yanazaki 12 anos, um whisky japonês particularmente difícil de encontrar em Portugal, a um chá Milky Oolong, proveniente da China (19,50 euros). “Este chá vai dar ao whisky notas de fruta madura, fruta tropical e algumas notas doces que o whisky não tem”, palavras de Vasco Martins. Aquele que é o responsável pelas propostas de bar do Soão aconselha os clientes a primeiro provar o chá, para limpar a boca e preparar as papilas gustativas, e só depois o whisky, um jogo de sabores que é, na verdade, uma cerimónia que deverá levar o seu tempo. “Sinceramente, isto é para ser desfrutado com calma e paciência.”

No Soão pode provar também o whisky Kavalang King Car Conductor, de Taiwan, com o chá Gin Xuan Oolong Thai da Tailândia (12,50 euros) e o whisky Nikka From The Barrel, do Japão, com o Lapsang dos Açores (9,50 euros) — este último casamento é forte em notas fumadas e de tabaco. A isto juntam-se ainda os seis cocktails da casa, feitos com ingredientes asiáticos, e os vários rótulos de saké (do Japão) e soju (da Coreia do Sul).

Porque onde há bebida há também comida, neste restaurante existe um menu com pratos de seis países diferentes, incluindo o clássico Pad Thai (mistura de massa de arroz com ovo, camarão, frango, cebolo, amendoim, rebentos de soja e tamarindo) e a chamuça de chocolate e coco para sobremesa. E estas são apenas algumas sugestões.

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