Foi descoberta uma galáxia que, no alto dos seus 13 mil milhões de anos, é quase tão antiga quanto o próprio universo. Bedin I foi encontrada pelo Telescópio Espacial Hubble enquanto estudava estrelas anãs brancas dentro de um aglomerado estelar chamado NGC 6752, que está dentro da Via Láctea. Um olhar atento a esse aglomerado desvendou uma zona mais concentrada de estrelas que parecia parte da nossa galáxia. No entanto, a luminosidade e a temperatura das estrelas desvendaram outra coisa: afinal, aquela era uma pequena galáxia vizinha.

Bedin I está a 30 milhões de anos-luz da Via Láctea, isto é, mesmo viajando à velocidade da luz — quase 300 milhões de metros por segundo — seriam precisos 30 milhões de anos para chegar até lá. Em termos astronómicos essa viagem não é assim tão longa, daí a Agência Espacial Europeia, uma das responsáveis pelo telescópio Hubble, ter dito que Bedin I  está na vizinhança da nossa galáxia. No entanto, de tão pequena e ténue que é, nunca nos tinha captado o olhar, apesar de poder ser dos corpos celestes mais antigos do universo.

Ora, a nossa vizinha Bedin I é alongada e insere-se na categoria galáxia esferoide anã. “Esferoide” porque tem o formato semelhante ao de um ovo e “anã” porque de uma ponta à outra mede, no máximo, 300 anos-luz — a Via Láctea tem 100 mil anos-luz de diâmetro. Embora ainda não saibamos muito sobre Bedin I, ela foi classificada assim porque o brilho das estrelas é muito ténue, todas são muito antigas e porque têm pouca poeira em redor delas.

Há 36 galáxias como esta no Grupo Local, aquele a que pertencem a Via Láctea e a Andrómeda. A Agência Espacial Europeia admite que galáxias como a Bedin I “não são incomuns”, mas que esta é especial: primeiro porque é extremamente isolado, depois porque pode ser a mais pequena galáxia anã descoberta até à data. E sobretudo porque, tendo em conta as características das estrelas que a compõem, tem 13 mil milhões de anos. O universo tem provavelmente 13,7 mil milhões.

Estas três características em conjunto dão origem a uma quarta que faz da descoberta de Bedin I ainda mais importante: se é tão antiga e tão isolada, isso significa que quase nada mudou nela desde que nasceu. É uma espécie de fóssil que preserva alguns dos aspetos que havia nos primeiros anos do universo.

Agora, a esperança da Agência Espacial Europeia é vir a encontrar mais galáxias como esta assim que o Hubble se reformar e o Telescópio de Levantamento Infravermelho de Campo Largo o vier substituir: “A descoberta de Bedin I foi um achado verdadeiramente casual. Muito poucas imagens do Hubble permitem que esses objetos sejam vistos e cobrem apenas uma pequena área do céu. Telescópios futuros com um grande campo de visão terão câmaras a cobrir uma área muito maior do céu e poderão encontrar muitos mais destes vizinhos galácticos”.