A Câmara de Lisboa recuperou a plena propriedade do antigo Complexo Mega Craque, em Telheiras, quatro anos após o encerramento destas instalações desportivas, que se encontram devolutas, estando a ser avaliada a abertura do espaço, revelou esta segunda-feira o município.
Em resposta à agência Lusa, a Câmara Municipal de Lisboa (CML) afirmou que está, neste momento, a avaliar “como e de que modo se poderá voltar a abrir o espaço” do antigo Complexo Mega Craque, que acolheu, até 2022, o ginásio Mega Craque Clube, no Alto da Faia, em Telheiras.
“Este assunto está a ser analisado tendo em consideração os diversos constrangimentos associados ao espaço e procurando identificar as soluções mais adequadas para a sua revitalização, garantindo uma boa utilização funcional das instalações”, adiantou a CML, presidida por Carlos Moedas (PSD), sem adiantar mais informação sobre o futuro destas instalações desportivas.
Com mais de 35 anos ao serviço da população, o ginásio Mega Craque Clube encerrou em abril de 2022, devido a um litígio de rendas, processo judicial que decorreu durante mais de 10 anos entre a gestão do espaço desportivo e o senhorio do imóvel, que inicialmente era a Empresa Pública de Urbanização de Lisboa (EPUL) e, mais tarde, passou para a CML.
Passado quatro anos desde o encerramento do espaço, a autarquia informou que, “na sequência da conclusão do processo judicial relativo à titularidade do imóvel, a CML recuperou a plena propriedade do antigo Complexo Mega Craque, em Telheiras”.
Questionada sobre o abandono e degradação das instalações desportivas, a CML disse que os serviços municipais têm envidado esforços para “bloquear o acesso ao interior do Complexo Multiusos Alto da Faia, designadamente procedendo ao emparedamento dos respetivos vãos, ao bloqueio das portas e à revisão periódica das mesmas, de forma a mitigar os riscos de intrusão e vandalismo”.
A este propósito, o presidente da Junta do Lumiar, Ricardo Mexia (PSD), responsável pelo território onde se localiza o edifício do Mega Craque, disse, em fevereiro numa reunião pública do executivo da freguesia, que, “da parte da Junta, há um grande interesse em recuperar aquele espaço, para o desenvolvimento da atividade desportiva”.
“Aquilo que já estava previsto com a Câmara consistia na recuperação dos campos exteriores, uma intervenção relativamente simples, que permitiria disponibilizá-los em breve à população”, disse Ricardo Mexia, adiantando que estão também a ser desenvolvidos esforços para reabilitar o edifício, até porque existe na freguesia “uma grande necessidade, tanto ao nível desportivo, como ao nível cultural e recreativo”.
O autarca do Lumiar adiantou que também se prevê que o estacionamento coberto seja intervencionado, enquanto a piscina teve “um problema estrutural grave, não sendo passível de ser reabilitada para o mesmo efeito”.
A Associação de Moradores de Telheiras Norte (AMTN) tem sido voz ativa a denunciar o abandono do Mega Craque, tendo em junho alertando que, nos últimos anos, a situação de degradação do imóvel se tem “acentuado gravemente, devido aos múltiplos atos de vandalismo e assaltos que tem sofrido”, afirmando que, com isso, cresce também a insegurança no local e “um sentimento de desilusão por parte dos moradores perante a inação das entidades competentes”.
“A solução que a CML apresenta para o edifício é transformá-lo num espaço de serviços municipais, para nele instalar o Departamento dos Espaços Verdes. Consideramos que esta é uma má decisão, uma vez que o edifício do Mega Craque deve ser um equipamento que sirva a população e não um espaço fechado em si mesmo”, expôs a AMTN, afirmando que os moradores de Telheiras Norte, na freguesia do Lumiar, precisam de um equipamento desportivo, social, recreativo e/ou comunitário.
A associação reforçou que “o Mega Craque tem um potencial elevado, que mais nenhum espaço na freguesia tem”, pretendendo que a CML dialogue e tome uma decisão conforme a vontade da população.