No mundo das startups, falhar está como os divórcios para os casamentos. É um tema tabu, mas todos sabem que acontece e é bastante normal. Em 2018, inúmeras startups promissoras e que anunciavam um futuro feliz tiveram este desfecho: o falhanço. Mas o fim não é uma vergonha. Ao Observador, Dinis Monteiro, que criou a base desta lista de startups que fecharam em 2018, no âmbito do trabalho que faz com a plataforma Teamlyzer, explica que é “importante saber” o que pode acontecer — “principalmente” para quem pensa sair do trabalho que tem para se juntar a uma startup.

Em 2017, o fundador desta plataforma que quer ser “o próximo Glassdoor”, uma base de dados onde colaboradores e antigos funcionários classificam anonimamente empresas, já tinha juntado, “com a ajuda da comunidade”, uma lista das startups “mais sonantes” que fecharam portas. “Foi bem recebida e é meramente factual, não tem nada a ver com análises ou juízos de valor sobre os projetos”, assume quanto a esta nova lista. E há uma coisa em comum entre todas as startups: eram bastante promissoras.

Na lista de 2018, há nomes de startups destacadas pela revista Forbes, casos de sucesso do Shark Tank e promessas que iam revolucionar o mundo da música. Também surgem mais três empresas, como a Brandia Central, a MusicVerb e a Tradiio, mas por a primeira não ser uma startup (esteve 20 anos em operação, entre outros motivos), a segunda ter sido comprada e a terceira estar a mudar o modelo de negócio, ficámos pelas oito que fecharam portas. Para confirmar os dados, foram utilizadas declarações dos fundadores e detalhes sobre a abertura de processos de insolvência. Deixamos a lista:

As startups que fecharam portas:

ChicByChoice, destacada pela Forbes e que prometia alugar vestidos de luxo de forma cómoda, mas deixou de o fazer.

A CoolFarm, que ia revolucionar a a agricultura com uma app e chegou a ser a “startup do ano”, mas acumulou quase um milhão em dívidas.

A iFarmácias, com investimento do SharkTank, que ia facilitar as idas à farmácias, mas desapareceu do mapa por causa do novo Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados, disse em maio a empresa (nem um site está online).

A Topdox ia facilitar o acesso a documentos na Cloud para as empresas e encerrou, mas o fundador pegou no conhecimento e deu palestras para os que querem aprender com os erros.

Huubster ia ajudar todos a comprar carros usados, mas o “projeto ambicioso” fechou de cabeça erguida e com a dica: “Para finalizar, queremos apenas dizer que não é por a Huubster falhar, que o mercado dos usados não esteja a progredir. Acreditamos que este foi um passo na direção certa e mais virão”, disse no Facebook a antiga empresa.

A CityDrive estava a levar os carros partilhados a um novo nível em Portugal. Conseguiu o que uma startup quer: ser comprada. Continuou a operar até 2018, quando faliu por falta de sustentabilidade do projeto (e dívidas a trabalhadores).

A Insizium ia levar a realidade virtual a mais pessoas e sem ser só através do entretenimento. Chegou a estar responsável pelo Visionarium de Santa Maria da Feira, mas entrou em processo de insolvência no ano passado.

Musikki ia juntar num sítio a informação precisa para se poder ouvir música online e ter informação da mesma. Fechou em 2018, como as outras empresas. O fundador aproveitou o conhecimento adquirido e já tem outros projetos, como o Gig Club.