Foi considerada “Startup do Ano” pela Microsoft Portugal em 2017, mas em 2018 fechou — falida, praticamente sem vendas e sem produto e a dever perto de 1 milhão de euros a 32 credores. A 30 de outubro deste ano, o Tribunal Judicial da Comarca de Santarém declarou insolvente a CoolFarm, com sede em Torres Novas e morada no Instituto Pedro Nunes em Coimbra. E nomeou um administrador para o plano de pagamentos que fará frente aos 972.759,41 euros que a empresa de agrotech acumulou em dívidas. Pelo caminho, ficaram os vários prémios, distinções e reconhecimentos que recebeu em Portugal e no estrangeiro — de empresas privadas a instituições públicas. Vários testemunhos e documentos a que o Observador teve acesso ajudam a explicar a história de uma startup premiada, cuja ideia não conseguiu sair do papel.

Ao maior acionista, a Farben Consulting — que investiu 1,5 milhões na empresa e detinha 98% do capital social da CoolFarm –, a startup fundada por Eduardo Esteves, João Igor, Gonçalo Cabrita e Liliana Marques deve mais de 715 mil euros. À empresa Fluxoterm – Climatização, que avançou com o pedido de insolvência em tribunal, a CoolFarm deve mais de 105 mil euros por prestações de serviços. A nove colaboradores, a empresa deve mais de 49,5 mil euros. À F. Iniciativas, Consultoria e Gestão, a startup deve perto de 26 mil euros. Ao Horto-Florícola de Santo Antão, deve 23,5 mil euros. E, em rendas, a Coolfarm deve ao Instituto Pedro Nunes, a incubadora de empresas em Coimbra que era a casa dos colaboradores, 2.236 euros.

No processo que deu entrada no tribunal de Santarém, a Fluxoterm afirma que a CoolFarm deve cerca de 26 mil euros ao Estado em impostos e contribuições à Segurança Social e que não tem atividade há cerca de um ano — mas os fundadores negam. “Não obstante as dificuldades de tesouraria, até ao passado mês de junho de 2018, a devedora manteve os pagamentos aos seus trabalhadores, num esforço para que os projetos em curso pudessem ser concluídos e concretizados os contratos em negociação, que permitiam sustentar e até potenciar o crescimento da atividade da devedora”, lê-se na documentação entregue no tribunal de Santarém.

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