O pai de Meghan Markle, a mulher do príncipe Harry, revelou este domingo o conteúdo de uma carta que a duquesa de Sussex lhe enviou em agosto. Na carta, a ex-atriz enfrenta Thomas Markle com as alegadas mentiras que ele tem contado à imprensa, confessa que as divergências entre os dois lhe partem o coração “em milhões de pedaços” e pede ao progenitor que tudo se resolva na esfera privada.

Thomas Markle disse ao Daily Mail que tinha intenções de manter o conteúdo da carta em segredo, mas mudou de ideias quando um grupo de cinco mulheres próximas de Meghan Markle decidiram defender a mulher de Harry dos ataques que já lhe valeram a alcunha de “Duquesa Dificuldades”. O pai sentiu-se “atacado”, disse ele ao tabloide britânico, e por isso quis defender-se publicamente. Leia aqui em baixo a alegada carta que Meghan Markle terá enviado ao pai em agosto do ano passado.

Papá,

É com o coração pesado que escrevo isto, por não perceber porque é que escolheste seguir este caminho, ignorando a dor que estás a causar. As tuas ações partiram o meu coração em milhões de pedaços — não apenas porque criaste esta dor desnecessária e injustificada, mas por tomares a decisão de não dizeres a verdade enquanto és manipulado como uma marionete. É algo que nunca vou compreender.

Disseste à imprensa que me telefonaste para dizer que não virias ao casamento. Isso não aconteceu porque tu nunca me ligaste. Disseste que nunca te ajudei financeiramente porque nunca me pediste ajuda, o que também não é verdade. Mandaste-me um e-mail em outubro último que dizia: ‘Se tenho dependido demais da tua ajuda  financeira, então perdoa-me mas se me pudesses ajudar mais, não como uma moeda de troca para a minha lealdade’

Eu sempre te amei, protegi e defendi, oferecendo qualquer apoio financeiro que pudesse, preocupando-me com a tua saúde… e perguntando sempre como podia ajudar. Por isso, na semana do casamento saber que tinhas tido um ataque cardíaco através de um tabloide foi horripilante. Eu telefonei e mandei mensagens… eu implorei para que aceitasses ajuda — nós mandámos alguém a tua casa… e em vez de conversares comigo para aceitares esta ou outra ajuda, paraste de atender o teu telemóvel e escolheste falar apenas com os tabloides.

Se me amas, como dizes à imprensa que sim, por favor para. Por favor, permite-nos que vivamos a nossa vida em paz. Por favor para de mentir, por favor para de criar tanta dor, por favor para de te aproveitares da minha relação com o meu marido. Percebi que estás tão fundo nesta toca de coelho que sentes (ou deves sentir) que não há forma de sair, mas se tirares um momento para parar, acho que te vais aperceber que ser capaz de viver com a consciência limpa tem mais valor do que qualquer pagamento do mundo.

Eu supliquei-te para parares de ler os tabloides. Mas diariamente fixaste-te e clicaste nas mentiras que andavam a escrever sobre mim, especialmente aquelas inventadas pela tua outra filha, que eu mal conheço. Viste-me sofrer em silêncio nas mãos das suas mentiras perversas. Eu desmoronei-me por dentro. Todos nos mobilizámos para te apoiar e proteger desde o primeiro dia e tu sabes disso. Por isso saber dos ataques que fizeste contra o Harry na imprensa, que não foi nada mais senão paciente, generoso e compreensivo contigo, é talvez a coisa mais dolorosa de todas. 

Por alguma razão escolheste continuar a fabricar estas histórias, a inventar estas narrativas fictícias e a entricheirares-te mais profundamente na teia que tens tecido. A única coisa que me ajuda a dormir à noite é a esperança e saber que uma mentira não sobrevive para sempre. Eu acreditei em ti, confiei em ti e disse que te amava. Na manhã seguinte, as imagens de videovigilância estavam tornadas públicas.

Não me procuras desde a semana do casamento, e enquanto alegas que não tens qualquer maneira de me contactar, o meu número de telemóvel continua o mesmo. Sabes disso. Nenhuma mensagem, nenhuma chamada, nenhuma notícia tua — só mais entrevistas pelas quais estás a ser pago para dizeres coisas dolorosas e prejudiciais que não são verdade. 

Em entrevista ao Daily Mail, Thomas Markle insistiu que ama a filha “com todo o coração” e justificou o motivo de não se ter encontrado mais com ela na altura do casamento: “Mandei à Meg e ao Harry uma mensagem a dizer que não ia [ao casamento]. Era demasiado perigoso depois do ataque cardíaco”. Quanto às ajudas financeiras de que Meghan Markle fala na carta, o pai afirma que só pediu apoio para mudar de casa e que qualquer “modesta prenda financeira” seria “muitíssimo apreciada”.

Thomas Markle sugere também a possibilidade de partes da carta assinada pela duquesa de Sussex ter tido intervenção do príncipe Harry: “Os americanos não usam a expressão ‘toca de coelho’. Isto é coisa do Harry. Não sei o que isto significa”. Questionado sobre eventuais problemas que possa ter tido com o genro, Thomas Markle sublinha que apenas disse ao príncipe “para se fazer homem”.

Além de ter publicado a carta que a filha lhe enviou, Thomas Markle também mostrou ao Daily Mail a resposta que terá enviado a Meghan.

A última vez que falámos foi três dias antes do casamento porque estava numa cama de hospital e tinha acabado de passar pela minha cirurgia. Quando mandaste toda a ajuda para minha casa, eu estava no hospital com um segundo ataque cardíaco! 

Quando é que eu ataquei o Harry? A única coisa que eu disse foi, se tivéssemos algum tipo de desentendimento, “ultrapassa-o”. Nós tivemos desentendimentos e ele protegeu-te de mim, mas eu não senti que o estava a atacar. 

Podes odiar-me se quiseres. Não te posso obrigar. Eu cometi um erro muito grande. Sou humano e peço desculpa! Durante quanto tempo mais tenho de dizer isto? Quem me dera que nos pudéssemos encontrar e pudéssemos tirar uma fotografia para o mundo inteiro ver. Tu e o Harry não gostam disso? Finjam por uma foto.

Foi assim que Thomas Markle ripostou contra a entrevista em anónimo que cinco das melhores amigas da duquesa deram à revista People para a defender do “bullying global” de que Meghan Markle está a ser vítima. Ela “recuou silenciosamente e aguentou as mentiras e as inverdades”, argumentam as amigas, que estão preocupados quanto “ao que isto pode estar a fazer a ela e ao bebé”. “É errado pôr alguém debaixo deste nível de trauma emocional, deixá-la sozinha enquanto está grávida”, concluem.

Nessa entrevista, as mulheres dizem que a irmã Samantha Markle, que também tem utilizado os tabloides britânicos para atacar a duquesa, nunca fez parte da vida de Meghan Markle: “Foi tudo engendrado para parecerem que são como irmãos que tiveram essa quebra e isso não é verdade. Ela nunca fez parte da vida dela”. As mulheres admitem, porém, que a duquesa sofre com a ausência do pai: “Ele sabe como chegar até ela. Ele nunca telefonou e nunca lhe escreveu”, acusaram.