A derrota do Chelsea fora frente ao Bournemouth tinha obrigatoriamente de deixar marca nos blues. Para o bem ou para o mal, ali, e em tudo aquilo que se seguiu, estava um momento de viragem. Porque a seguir Maurizio Sarri cortou a direita na equipa e recusou-se mesmo a seguir viagem com os jogadores no regresso, porque a seguir começaram a sair notícias em catadupa sobre várias relações estragadas no balneário do conjunto londrino. A primeira resposta foi positiva: chapa cinco em Stamford Bridge ao Huddersfield, com bis de Hazard e Huguaín; a segunda resposta não podia ser pior. Aliás, foi histórica – pela negativa.

As palavras do técnico italiano contratado esta temporada ao Nápoles já faziam antever qualquer coisa não muito boa para as aspirações do Chelsea. “Não, não penso que estejamos na luta pelo título. Nesta altura estamos a lutar por um dos quatro lugares do topo da classificação”. “Sim, para mim o Manchester City é a melhor equipa da Europa, são um exemplo para todos”. “Sim, quer o Guardiola, quer o Klopp estão há alguns anos em Inglaterra e temos de trabalhar muito para reduzir a diferença para eles”. “Não, a nossa vitória na primeira volta não foi fácil e tivemos sorte por marcarmos nos momentos mais complicados do jogo”. A “cartilha” estava lida e, perante um conjunto que levava 43 golos nos encontros em casa, Sarri só tinha uma fórmula possível para o clássico deste domingo: “Defender bem, pressionar bem, ser rápido”. Tudo o que não aconteceu.

Quatro minutos, 1-0: De Bruyne viu uma autêntica cratera na defesa contrária, lançou Bernardo Silva na direita, o cruzamento rasteiro do internacional português com o pé direito sofreu um ligeiro desvio e Sterling, ao segundo poste, encostou sem hipóteses. 13 minutos, 2-0: Zinchenko ganhou numa insistência pelo lado esquerdo, Kun Agüero ganhou algum espaço fora da área e atirou um míssil sem hipóteses para Kepa. Ah, e pelo meio o argentino ainda teve uma perdida após assistência de Bernardo Silva que deixou os adeptos incrédulos e levou mesmo Pep Guardiola a atirar-se para o chão…

Agüero foi de novo a grande figura da equipa de Guardiola, depois de já ter marcado um hat-trick ao Arsenal (Michael Regan/Getty Images)

Era um jogo de sentido único, com o estilo tricotado do Manchester City a desfazer por completo a organização defensiva do Chelsea. E para ajudar a uma realidade cada vez mais negra, juntaram-se ainda erros individuais inadmissíveis, como aquele que acontecer aos 19 minutos quando Ross Barkley atrasou de cabeça para Kepa mas viu Agüero desviar na pequena área para o 3-0. Mas não ficaria por aí olhando apenas para a primeira parte, com Gundogan, poucos antes dos 25 minutos iniciais da partida, a aproveitar uma bola perdida à entrada da área para rematar colocado ao ângulo inferior.

No segundo tempo, mais do mesmo e para marcar registos históricos: Agüero fez o 5-0 na marcação de uma grande penalidade (56′), chegando a novo hat-trick depois dos três golos que tinha apontado ao Arsenal no último encontro em casa, e Sterling fechou as contas a dez minutos do final, concluindo na área de pé esquerdo mais uma grande movimentação ofensiva que teve Zinchenko a fazer o passe decisivo para o bis do internacional inglês de novo isolado em zona proibida. E esse acabou por ser mais do que um simples carimbar de goleada – o Chelsea nunca tinha sofrido seis golos num jogo da Premier League, sendo que a maior derrota antes desta tinha sido em 1991 (ainda sem a nova versão da Liga) frente ao Notthingham Forest de Clough…

Da parte de Kun Agüero, mais uma grande exibição e com direito a uma série de recordes: apesar de ter feito apenas 64 minutos no encontro, dando depois lugar a Gabriel Jesus, o argentino apontou o 15.º hat-trick pelo Manchester City (terceiro na presente temporada), igualou os 11 hat-tricks na Premier League do antigo avançado Alan Shearer, chegou aos 160 golos pelos citizens superando os registos anteriores e passou a barreira dos 200 golos em que esteve envolvido pelo mesmo clube, juntando-se a uma lista com nomes como Ryan Giggs, Steven Gerrard, Wayne Rooney, Thierry Henry e Frank Lampard.